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Conhecimento sobre IST é insuficiente

Publicado: Segunda, 19 de Dezembro de 2022, 19h47 | Última atualização em Segunda, 19 de Dezembro de 2022, 19h48 | Acessos: 343

Pesquisa avalia letramento em saúde entre estudantes em Belém

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Por Rebeca Amaral Foto pexels-cottonbro-studio

Você já ouviu falar em Letramento Funcional em Saúde? Se nunca ouviu ou leu esse termo, não há problema, explicamos: Segundo o professor José Antônio Chehuen Neto (UFJF), o Letramento Funcional em Saúde (LSF) é definido como a capacidade de se obter, processar e compreender as informações e os serviços básicos de forma a tomar decisões apropriadas quanto à própria saúde e aos cuidados médicos. 

A dissertação da enfermeira Ana Trindade Pereira aborda o tema do LSF sobre Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). O estudo intitulado Letramento em Saúde acerca de Infecções Sexualmente Transmissíveis em População Jovem de Áreas Periféricas no Contexto Amazônico foi orientado pela professora Jacira Nunes Carvalho e apresentado ao Programa de Pós-Graduação em Enfermagem (PPGENF), do Instituto de Ciências da Saúde, da Universidade Federal do Pará (ICS/UFPA). 

O objetivo da pesquisa foi avaliar o letramento em saúde acerca das ISTs na população de jovens usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) que vivem em áreas periféricas no contexto amazônico. A coleta de dados para construção da pesquisa foi feita durante dois meses, período em que foram ouvidos 34 jovens, com idades entre 15 e 24 anos, residentes do Distrito D'água, no bairro Montese, em Belém. A investigação foi um estudo de campo descritivo, com abordagem qualitativa.

“Como limitações do estudo, tivemos o fato de alguns jovens não terem respondido algumas das questões propostas. Em pesquisas com adolescentes, há possibilidade de os participantes não responderem às questões de modo fidedigno, principalmente as perguntas relacionadas ao início da vida sexual, número de parceiros e uso de métodos de prevenção”, pontua Ana Trindade. A pesquisadora afirma que a escassez de publicações que tratem do tema abordado foi outro fator limitante, “Encontramos uma lacuna no que se refere a pesquisas que abordem letramento funcional em saúde sobre IST com população jovem". 

Mídia e internet são importantes fontes de informação

Em janeiro de 2019, foi lançada a primeira temporada da série adolescente Sex Education (tradução livre: Educação Sexual). A produção original da plataforma de streaming Netflix gira em torno das histórias de estudantes, pais e professores de uma escola fictícia, lidando com dilemas em boa parte ligados à vida sexual. Para Ana Trindade Pereira, o tipo de conteúdo oferecido pela produção pode sim ajudar no desenvolvimento do LSF e acrescenta, “segundo a pesquisa, mídia e internet têm importante participação como fonte de informações para os jovens”.

 A pesquisadora revela que a maioria dos jovens respondeu que a escola é a primeira fonte na “busca de informações sobre infecções sexualmente transmissíveis", um dos tópicos abordados em sua pesquisa. “Isso faz ressaltar a importância da escola no desempenho de sua função social como educadora, além de ser um espaço de convivência diária do adolescente, devendo ser um lugar onde o jovem possa levar e esclarecer dúvidas, questionamentos, principalmente relacionados à sexualidade”, aponta. 

O resultado do estudo apontou que o Letramento Funcional em Saúde é insuficiente em todas as dimensões na população estudada. Os jovens também apresentaram dificuldades em relacionar causas e efeitos, desconhecem sinais e sintomas e demonstram despreocupação quanto à gravidade da situação epidemiológica das patologias de transmissão sexual. 

Perfil - A maioria do público entrevistado para a pesquisa encontra-se na faixa etária entre 15 e 18 anos (82,35%), declara-se heterossexual (85,29%), é solteiro (61,77%) e possui o ensino médio incompleto (44,20%). As jovens foram 58,3% das entrevistadas, e os bissexuais  responderam por 8,83% do público ouvido. A maioria dos jovens ouvidos declarou não ter iniciado a vida sexual (52,95%) e outros 38,23 informaram terem tido entre 1 e 5 parceiros no período anterior de seis meses.

Sobre a pesquisa - O estudo teve incentivo do Programa Nacional de Cooperação Acadêmica (Procad), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), como parte do estudo multicêntrico intitulado “Diagnóstico Situacional das Infecções Sexualmente Transmissíveis no Contexto Amazônico: Análise geoespacial, rastreio e desenvolvimento de tecnologias cuidativas educacionais”. A pesquisa foi desenvolvida na Faculdade de Enfermagem da UFPA em parceria com a Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo e com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

 

Beira do Rio edição 165

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