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Literatura e jornalismo lado a lado

Publicado: Quinta, 13 de Abril de 2017, 14h05 | Última atualização em Quinta, 13 de Abril de 2017, 15h46 | Acessos: 1834

Estudo analisa cobertura literária na Folha do Norte e em O Liberal

Reproduções dos jornais O Liberal (1946) e Folha do Norte (1896).
imagem sem descrição.

Por Renan Monteiro Fotos Acervo da Pesquisa

Houve um tempo em que a literatura e o jornalismo estiveram lado a lado. Em meados do século XIX, por exemplo, o jornalismo era fortemente contaminado pela literatura. Mesmo hoje, não é de duvidar que, em todas as instituições formadoras de profissionais da mídia, haja aqueles que pretendam ser escritores literários. De outro modo, importantes escritores brasileiros tiveram o jornalismo como profissão. Machado de Assis, por exemplo, foi revisor de jornal e aprendiz de tipógrafo. Manoel Antônio de Almeida trabalhou como redator no Jornal Correio Mercantil.

Levando em consideração esse contexto, a jornalista Lívea Pereira Colares da Silva realizou a pesquisa Trilha das letras no Pará: o caminho percorrido pela literatura no jornalismo paraense. A dissertação foi defendida no Programa de Pós-Graduação Comunicação, Cultura e Amazônia, do Instituto de Letras e Comunicação (ILC/UFPA), sob orientação da professora Netília Silva dos Anjos Seixas.

O cerne da pesquisa foi compreender como os jornais paraenses atuaram na cobertura de temas do universo literário, seja regional, seja nacional. “O objetivo foi pesquisar o trajeto da literatura para entender como foi se encaminhando essa relação com o jornalismo, que, no início, era muito próxima e, agora, nós vemos completamente distante ’’, afirma a pesquisadora.

Os jornais escolhidos como objeto de estudo foram Folha do Norte (1896 – 1974) e O Liberal (1946 – atual), jornais de grande destaque na Região Norte, sendo concebidos, respectivamente, como o segundo e o terceiro jornais com maior tempo de circulação no Pará. “Eu escolhi esses jornais, porque eles estão disponíveis no acervo da Biblioteca Pública Arthur Vianna, em Belém, e na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, e também por terem essa importância no contexto do jornalismo local’’, revela Lívea.

A pesquisadora analisou 110 anos de produção jornalística desses periódicos, desde 1896 até 2006, com recortes de dez em dez anos, dos meses de janeiro e julho. “Como não tinha como eu ler todos os jornais desse período, eu li as edições dos meses de janeiro e julho, de 10 em 10 anos. Li as edições desses meses de 1896 e, depois, pulei para as edições dos mesmos meses (janeiro e julho) de 1906. Eu escolhi esses meses pelo intervalo de tempo igual entre eles e por ambos iniciarem os semestres’’, explica.

Com o tempo, o caráter opinativo perdeu espaço

A pesquisa teve um caráter inesperado para Lívea Colares. Feita a leitura de todas as edições dos anos e dos meses estipulados, de um corpus composto por 588 textos, sendo 387 publicados em O Liberal e 201 pertencentes à Folha do Norte, percebe-se que foi O Liberal, jornal mais recente, que trouxe um número maior de textos sobre literatura e não o mais antigo, Folha do Norte, como era esperado. 

No entanto a jornalista ressalta que é necessário considerar as mudanças ocorridas nos dois jornais: “são vários aspectos envolvidos. Mudou a linha editorial, o jornal passou a ter mais cadernos e mais páginas, logo, espaço maior para matérias de vários tipos, inclusive um caderno só sobre cultura, no qual está a literatura’’.

Outro aspecto que a pesquisa revelou foi que houve um aumento no número de textos sobre literatura, mas eles se tornaram cada vez mais informativos e, aos poucos, perderam o caráter opinativo e crítico. “Quase não há mais análises, resenha e crítica de livros, apenas notícias do mundo literário, como lançamentos, feiras ou notícias sobre os autores. É interessante destacar que houve um aumento no volume de textos, mas a pauta literária está cada vez mais factual e informativa’’, destaca Lívea Colares.

É possível dizer que, hoje, o relacionamento entre o jornalismo e a literatura está mais “frio”, se comparado ao do passado. Pesquisas com essa vertente histórica e analítica da imprensa regional ainda são raras no Pará.  Em conclusão, Lívea diz: “houve muitos aspectos que puderam ser explorados e, como toda pesquisa, esta abriu outros caminhos de estudo, caminhos que abrem precedentes para outras pesquisas que podem ajudar a entender um pouco mais a história do jornalismo impresso paraense”.

Ed.136 - Abril e Maio de 2017

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