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Olhando para além do horizonte

Publicado: Quinta, 13 de Abril de 2017, 14h23 | Última atualização em Quinta, 13 de Abril de 2017, 14h58 | Acessos: 201

Fadesp busca alternativas para incrementar receita

Pesquisadores serão incentivados a buscar investimentos internacionais
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Por Walter Pinto Fotos Alexandre Moraes / Adolfo Lemos

Criadas no interior das universidades públicas como parte da estratégia de aumentar a captação de recursos financeiros e facilitar o processo de aplicação de recursos nas necessidades institucionais, sob a forma de serviços e contratação de pessoal especializado, as fundações de amparo à pesquisa desenvolvem importante papel na vida acadêmica nacional. Na Universidade Federal do Pará, a Fadesp cumpre com essa finalidade há 41 anos, de modo assíduo e, muitas vezes, de importância vital para o pleno funcionamento da Instituição.

Na década de 1980, por exemplo, a UFPA deu início a um ousado projeto de Interiorização que, rapidamente, alcançaria êxito diante da demanda por pessoal qualificado nos municípios paraenses, mas encontrou enorme dificuldade para a execução da missão por não dispor de quadro docente suficiente. O recurso encontrado para viabilizar a interiorização durante sete anos em que a UFPA esteve no limite da sua expansão passou pela Fadesp. Coube à Fundação realizar concurso público e contratar docentes para os campi do interior.

“O exemplo da Interiorização serve para ilustrar a capacidade da Fundação em,  reconhecendo o interesse da Universidade, absorver programas estratégicos, de grande escala, como a Interiorização provou ser, a ponto de gerar duas novas universidades no interior do Pará”,  assinala Fernando Arthur Neves, diretor Executivo da Fadesp. “Até hoje, a Fundação vem cumprindo, com muita responsabilidade, o seu papel de apoiar as ações estratégicas da UFPA, como faz em relação ao pleno funcionamento dos hospitais universitários, reconhecendo a importância da saúde pública e da manutenção de espaço de ensino e serviço nos Hospitais Barros Barreto e Bettina Ferro e Silva”, complementa.

Em quatro décadas, a Fadesp vem acumulando conhecimento via estudo, experiência e prática. Essa expertise é mobilizada, por exemplo, na elaboração de Relatórios de Impactos Ambientais, Eia-Rima, para construção de hidrelétricas na Amazônia. A Fundação também alcançou experiência na realização de concursos públicos para todas as esferas de governo, colocando como exigência para si a formulação de questões originais, como consta em seu portfólio. Todo esse conhecimento foi importante para que a Fadesp ampliasse o apoio às universidades e às instituições de pesquisa na Amazônia. Além da UFPA, a fundação serve à UFRA, desenvolve ações na  UFOPA, representa a UNIFESSPA e o IFPA, e trabalha com o Museu Emílio Goeldi, cuja direção comprovou, por meio de pesquisa de opinião, o alto nível de satisfação de seus pesquisadores com a Fundação (80%).

A Fadesp também contribui com o governo do Estado com projetos de desenvolvimento institucional, a exemplo do Projeto “Fábrica de Software”, perfeitamente enquadrado à nova exigência da legislação, que é o desenvolvimento de produtos específicos. Segundo Fernando Arthur, o desenvolvimento de projetos é uma área que a fundação expandirá em 2017, “isso está sendo bem desenhado, por se tratar de um novo eixo a ser consolidado e representa o seu espaço de expansão na parceria com o Estado”.

Desafio é ampliar diálogo com setor produtivo

Fernando Arthur Neves considera que, hoje, o grande desafio da Fadesp é expandir o diálogo entre meio científico e sociedade, particularmente focado no setor produtivo. Mas sabe que esta nova missão se reveste de um elevado nível de dificuldade em larga medida, porque as instituições de ensino e pesquisa não desenvolveram a cultura de transformar os resultados de pesquisas em tecnologias capazes de melhorar ou gerar produtos para o mercado.  “Nosso desafio é auxiliar as instituições que apoiamos na formatação de produtos e acelerar a mediação entre elas e os setores produtivos, de modo que os produtos possam gerar recursos para ambas as partes”, ressalta o diretor Executivo da fundação.

Uma forma de alcançar esse objetivo é dar mais visibilidade às potencialidades dos laboratórios, através do Portal da Fadesp (https://www.portalfadesp.org.br), que disponibiliza uma ferramenta chamada “Oportunidades de Negócios”, por meio da qual governos e demais setores produtivos da sociedade podem conhecer as capacidades e os serviços oferecidos por instituições apoiadas pela Fadesp. O link remete ao Sistema de Mapeamento de Competências (SMC), “destinado ao cadastramento de unidades de pesquisa, ensino e extensão da UFPA, de outras instituições de Ciência e Tecnologia, assim como  de empresas e profissionais autônomos interessados em atuar como parceiros em projetos que podem ser transformados em produtos, processos e tecnologias, bens culturais e práticas inovadoras, que irão gerar o desenvolvimento e o bem-estar para a sociedade”.

Segundo a Fadesp, o SMC permite às empresas buscar “soluções para otimizar os resultados de gestão e aperfeiçoar processos ou produtos, por meio de consultorias e serviços tecnológicos, além da oportunidade de disponibilizar seus serviços estabelecendo, assim, uma parceria de sucesso. Oferecemos serviços de consultoria técnica especializada, com credibilidade, aliando inovação e qualidade.”

A Fadesp está trabalhando na ampliação dessa área de atuação, buscando estimular o cadastramento de mais pesquisadores na ferramenta que  se assemelha a uma “vitrine de expertises”. Também está desenvolvendo uma estratégia de comunicação institucional para reforçar o uso da ferramenta pelos setores produtivos da sociedade, assim como está qualificando a sua gerência de negócio para ampliar a sua atuação, haja vista o incremento de novas instituições de ensino e pesquisa que atuam na Amazônia.

Fundação sente os efeitos da crise econômica

Como todas as instituições de apoio à pesquisa, a Fadesp também foi duramente atingida pela crise econômica do País. A crise causou uma diminuição de receita em função da queda no financiamento de novos projetos, situação agravada, ao longo do tempo, por uma questão econômica estruturante relacionada aos hospitais universitários, cujos repasses oficiais mantiveram-se abaixo dos custos de manutenção, gerando descompasso, porque o quadro de despesas continuou o mesmo, sobretudo a folha de pessoal.

“A Fadesp está enfrentando um problema real no gerenciamento das folhas de pagamento. É importante que todos saibam. Houve um momento em que a Fundação cresceu, porque havia uma economia em crescimento. Mas, à medida que a economia entrou em colapso, as receitas diminuíram, ficando em nível abaixo das despesas”, explica o diretor Executivo. Uma alternativa à crise passa pelo enxugamento da máquina, inclusive da própria Fundação, como ele ressalta: “estamos fundindo coordenações, mas ainda não é o suficiente para que o maior número possível de empregos seja preservado”. 

Outra alternativa é mapear novos nichos de investimento, solução que a Fundação está empenhada em efetivar, como faz por meio da ferramenta “Oportunidades de Negócios”, em que busca ampliar o espectro de serviços para prefeituras, governo do Estado e setores produtivos. Também está empenhada em habilitar melhor os pesquisadores das instituições que apoia, na busca por investimentos internacionais, como já acontece na UFPA, com a Geologia, a Biologia e algumas áreas das engenharias.

Os desafios da atual gestão da Fadesp são imensos, difíceis, mas não impossíveis. Passam, principalmente, pelo aumento dos financiamentos, algo que depende da ousadia dos pesquisadores em apresentar novos projetos ou produtos. “Temos que ter a capacidade de fazê-los trazer à fundação suas propostas, que podem ser, por exemplo, soluções para prefeituras e empresas, soluções não necessariamente grandes, mas pensadas dentro de formatos específicos. A Fundação é uma alternativa para acelerar a chegada dessas propostas ao setor produtivo e, consequentemente, à sociedade que espera por inovações e serviços mais eficientes”, finaliza Fernando Arthur.

Ed.136 - Abril e Maio de 2017

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