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Conciliar verde e concreto

Publicado: Quarta, 04 de Outubro de 2017, 17h44 | Última atualização em Quarta, 04 de Outubro de 2017, 18h56 | Acessos: 50

Prefeitura enfrenta o desafio de manter a identidade amazônica do campus

Abaixo, o Mirante do Rio, inaugurado em fevereiro deste ano, no qual estão lotados os alunos de graduação do pavilhão Básico
imagem sem descrição.

Por Walter Pinto Foto Alexandre de Moraes

O Campus da UFPA em Belém é, sem dúvida, um dos mais bonitos e bem localizados do País.  Foi construído às margens do Guamá, um dos rios que banha a cidade, numa região distante não mais que 6 km do centro histórico. Mais de três mil árvores, algumas de espécies ameaçadas de extinção, como pau-brasil, mogno e jatobá, reforçam o ambiente amazônico do campus.

Com o passar dos anos, novas paisagens agregaram mais beleza ao lugar. Os ipês em floração, por exemplo, em frente aos Institutos de Letras, Humanas e Exatas, formam um caminho lilás, de delicada beleza. Nada mais amazônico do que contemplar, do alto da ponte sobre o Tucunduba, a passagem dos barquinhos. No caminho entre a Reitoria e a Biblioteca Central, um bambuzal protege-nos do sol escaldante de todos os dias.  Refrigério também encontrado nos bosques do campus.

No meio deste cenário, erguem-se prédios em que se formam, anualmente, milhares de profissionais, prestam-se serviços, e desenvolvem-se pesquisas científicas. Com o crescimento da UFPA em todas as frentes, novos prédios estão sendo erguidos, adensando a área construída. Conciliar a infraestrutura física do campus com a sua identidade amazônica tornou-se um dos desafios da Prefeitura.

Para o prefeito Eliomar Azevedo do Carmo, os cinquenta anos de história do campus deram-lhe uma espessa vegetação. Nem todas as árvores, observa, são fortes. Um forte temporal pode derrubar algumas. Cabe à prefeitura realizar a prevenção e o monitoramento da saúde delas, evitando que caiam sobre prédios ou sobre rede elétrica. “São acidentes raríssimos, mas acontecem. Mediar convivência de prédios e árvores é um dos nossos desafios. Nosso trabalho é manter as áreas verdes e escolher bem a alocação de cada prédio, conciliando o verde e o concreto”, afirma.

Esta harmonia tornou-se um desafio em função da redução da dimensão do campus, seja por causa da ocupação dos terrenos por moradores, seja pela destruição via desmoronamento da margem do Guamá. “Lidamos, hoje, com a falta de espaço para novas edificações e espaços verdes. Os prédios já estão muito próximos uns dos outros. Com menos área e o evidente crescimento da Universidade, os novos prédios tornaram o campus um espaço mais densamente construído”, constata o prefeito.

A limitação explica a construção de blocos de três, até quatro pavimentos. Segundo Eliomar Azevedo, a verticalização deu-se menos como planejamento arquitetônico do que como alternativa imposta. Outro ponto que explica a verticalização vem da natureza do solo do campus. “Temos um solo arenoso, com características complicadas à engenharia. O custo com as fundações de um prédio de um pavimento é próximo ao custo das fundações de um prédio de quatro pavimentos. Então, proporcionalmente, sai mais caro construir prédios baixos do que altos”, observa.

Campus fará 50 anos em agosto de 2018

O Campus da UFPA foi inaugurado em 1968. Em 13 de agosto de 2018, completará 50 anos. Foi composto com a desapropriação de 294 hectares pertencentes a Affonso Freire, Antonio Cabral e a outros e de área contígua, com 200 hectares pertencentes ao Instituto de Pesquisa Agropecuária do Norte, totalizando 449,83 hectares de área, às margens do Guamá.

O engenheiro e arquiteto Alcyr Meira, diretor do Departamento de Planejamento e Obras da UFPA à época, recorda dos momentos de reconhecimento do terreno: “Calçando botas de borracha de cano longo até os joelhos, nos deslocávamos no alagado do terreno enquanto cobras deslizavam ao nosso lado. Eram muitas cobras, tanto que, durante cerca de um ano, fomos os maiores fornecedores de cobras para o Instituto Butantã, em São Paulo. Mas havia muito mais bichos naquelas matas”.

O Campus I foi construído em área de onde era retirada a argila que abastecia uma antiga olaria ali instalada. Os buracos deixados e a topografia natural do terreno contribuíram para o alagamento da área. Foi necessário um grande trabalho de aterramento hidráulico para resolver a situação, com a retirada de areia de granulometria grossa do leito do rio Guamá para compactação do solo.

Afastando a crise com mais eficiência e menos custo

Empossado em 19 de dezembro de 2016, o prefeito multicampi Eliomar Azevedo do Carmo é professor da UFPA, mestre em Engenharia Elétrica e licenciado em Matemática. Atuou como coordenador geral do Campus de Abaetetuba, no período de 2011 a 2016. Tendo assumido em momento de crise econômica nacional, reconhece que seus desafios são enormes, mas conta com uma equipe dedicada e experiente para tornar os campi mais inclusivos, resolvendo as pendências de acessibilidade. Planeja investir mais no paisagismo e, do ponto de vista administrativo, pretende conter os desperdícios por meio de contratos mais eficientes.

Segundo ele, há uma enorme demanda na área da manutenção. “Temos uma estrutura que exige um grande trabalho de manutenção nas áreas de instalações prediais, conservação de ruas, refrigeração, abastecimento de água e energia elétrica. Nossa estimativa é que demoraremos cerca de um ano e meio trabalhando para superar esse passivo. A partir daí, teremos condições de atuar em outro patamar, na prevenção”, avalia.

Recuperação da orla – A Prefeitura planeja concluir a longeva obra de recuperação da orla do campus até o final de 2018. Constatou que a tecnologia adotada mais recentemente para conter a erosão está efetivamente funcionando. Trata-se do lançamento de espigões ao longo do rio, desde a margem. São geotubos preenchidos de areia, que avançam cerca de 45 metros adentro e acomodam-se no leito do rio. Esses espigões contribuem para o deslocamento do canal para longe da margem e afastam o risco de novas erosões. “Eu classifico esta obra como tendo duas perspectivas, uma de segurança, ao conter a erosão que põe em risco instalações, e outra de paisagismo, por meio da instalação de equipamentos para uso da comunidade, como ciclovia, academia de ginástica ao ar livre, pistas de skate e espaços para recreação e caminhadas”, informa o prefeito.

Eliomar Azevedo mostra-se otimista, apesar da crise: “estamos conseguindo recursos que nos possibilitam o lançamento de algumas licitações. Estamos na fase final do processo de licitação para a conclusão do prédio administrativo do ICSA. Outra licitação está prestes a ser concluída, a do bloco do IFCH e do ILC, próximo à Reitoria. Estamos concluindo o prédio da Faculdade de Biotecnologia. Nos demais campi, há várias obras em construção, como em Breves, onde iremos inaugurar em outubro o prédio administrativo do campus, um bloco de salas de aula e a Casa da Estudante”.

A prefeitura afirma que está fazendo todo o possível para que a crise econômica nacional tenha o menor impacto possível na vida da UFPA.  “Vamos investir em tecnologia, usar mais equipamentos e menos mão de obra, além de melhorar os processos de controle e fiscalização de execução dos contratos. Temos que evitar desperdícios”, ressalta o prefeito.

Ed.139 - Outubro e Novembro de 2017

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