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Pelas ruas de Belém

Publicado: Segunda, 04 de Dezembro de 2017, 16h06 | Última atualização em Segunda, 04 de Dezembro de 2017, 17h03 | Acessos: 78

Roteiros Geo-Turísticos valorizam bairros da cidade

Em sete anos de atividade, cerca de seis mil pessoas já participaram do projeto.
imagem sem descrição.

Por Renan Monteiro Fotos Alexandre Yuri

O Projeto de Extensão Roteiros Geo-Turísticos nasceu em 2011. A proposta inovadora vem sendo desenvolvida até os dias de hoje e conta com oito roteiros que, quinzenalmente, percorrem importantes locais em Belém. Coordenado pela professora Maria Goretti da Costa Tavares, docente da Faculdade de Geografia, o projeto também conta com colaboradores nas Faculdades de Museologia, Arquitetura, Turismo, História, além de professores do curso de Geografia em Marabá e Cametá.

A professora Goretti explica que a ideia principal do projeto de extensão é fazer um roteiro a pé pelo centro histórico, falando do patrimônio material (como os edifícios) e do patrimônio imaterial (como a gastronomia, as religiões e as festividades). “No roteiro, nós também falamos de questões geográficas, da produção do espaço da cidade, da história, da arquitetura e da cultura em geral”, explica a professora. Estudantes da graduação e pós-graduação dos cursos de História, Geografia, Museologia e Arquitetura e do ensino médio são monitores do projeto.

Metodologia – O primeiro roteiro foi o da Cidade Velha, em janeiro de 2011. Seguidamente, foram sendo criados os roteiros: Ver-o-Peso, Belle Époque (criado no centenário do Cinema Olympia), Campina (importante bairro comercial), Reduto (bairro industrial do período da borracha), Estrada de Nazaré, Antônio Landi (que fala de Belém no século XVIII) e Batista Campos (criado em de setembro de 2016).

Todos os locais escolhidos passam por um estudo de contexto histórico, geográfico, arquitetônico e cultural. Essas pesquisas são feitas em artigos, teses, dissertações, entrevistas e em outros documentos. Terminado esse estudo detalhado, são formados os textos guias, com informações e referências sobre  cada roteiro.

Caminhar desperta nova relação com a cidade

Magaly Caldas é aluna de Geografia da Universidade Federal do Pará (UFPA), participa do Projeto Roteiro Geo-Turístico desde os 15 anos, quando foi bolsista de Iniciação Científica no Ensino Médio da Escola de Aplicação da UFPA. Para ela, andar pelas ruas de Belém e usar o espaço público é um ato político, pois as pessoas que participam do Roteiro percebem, na prática, quais os ganhos e as dificuldades de andar por ruas historicamente importantes e, ao mesmo tempo, marcadas pela violência e sujeira. Sendo assim, segundo Magaly, as pessoas tornam-se mais conscientes em relação a seu local de vivência e buscam, de alguma forma, melhorá-lo.  

“Vivenciando os espaços da cidade, conseguimos perceber quais são os problemas. Por que tem muito lixo? Por que essa insegurança ao andar nas ruas? Precisamos reclamar e o Estado deve atender às nossas solicitações”, avalia a estudante.

Durante o percurso, os responsáveis pelos roteiros vão esclarecendo os contextos histórico e geográfico de determinados pontos e, ao mesmo tempo, levantando discussões a respeito dos problemas sociais da cidade. “Não falamos apenas dos pontos ‘belos’, mas também dos problemas da cidade. Qualquer política de turismo ou ligada ao patrimônio precisa estar articulada com outras políticas e com os problemas da cidade”, afirma a coordenadora Maria Goretti.

O projeto tem uma parceria com a polícia turística. Isso faz com que as pessoas participem do projeto de maneira mais assídua. “Grande parte dos participantes do projeto dizem que não viriam se não fosse com o grupo, porque não têm coragem de circular no centro histórico e na cidade de modo geral por não se sentirem seguros”, revela a professora.

Maria Goretti estima que, nesses quase sete anos de atividade, cerca de seis mil pessoas já participaram do roteiro. “São pessoas com os mais variados graus de formação e diferente faixa etária. Qualquer um pode se inscrever, o professor, a dona de casa e o gari. Temos um perfil muito diferenciado de público”, conta.

Outro dado curioso é que 95% dos participantes são moradores da cidade de Belém. Isso, segundo a coordenadora, revela que o roteiro, antes de ser para turistas, é para os residentes locais. “Eles têm o interesse em participar do roteiro, porque não conhecem a cidade”, afirma.

Moradores e trabalhadores locais são parceiros

O Projeto Roteiro Geo-Turístico tem parceria com outro projeto de extensão: Projeto Circular Campina/Cidade Velha, cujo objetivo é revalorizar o centro histórico de Belém. Os dois projetos atuam de maneira integrada, pois há locais interessantes nos dois bairros, como ateliês, restaurantes, locais de produção cultural e vendas de artesanato. Quando ocorre o Projeto Circular, a cada dois meses, um dos Roteiros Geo-Turístico é oferecido e passa a ser uma das atividades do Circular.

Há também colaboração de pessoas que moram ou trabalham nesses locais. No roteiro do Ver-o-Peso, por exemplo, a erveira Beth Cheirosinha fala de seu trabalho e da importância das ervas, enquanto o presidente da Associação de Vendedores do Ver-o-Peso fala da importância do mercado para a cidade.

Outro aspecto importante, segundo a professora, é a relação entre extensão, pesquisa e ensino para todos os que participam do projeto, “seja por meio dos relatórios do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic), para os estudantes do ensino médio e graduação; seja com os Trabalhos de Conclusão de Curso, para os estudantes da graduação; seja com as dissertações ou teses, para estudantes de pós-graduação”.

Magaly Caldas começou a fazer pesquisa desde sua entrada no projeto, ainda no primeiro ano do ensino médio, como bolsista Pibic. “Essa inserção, já no ensino médio, despertou um gosto pela pesquisa e pela leitura, por estar nesse ambiente acadêmico”, afirma Magaly, que, atualmente, pesquisa a Belle Èpoque.  

Como projeto de extensão, o Roteiro Geo-Turístico já ganhou prêmios importantes, como o do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em 2016. Dos oitos projetos premiados, o Roteiro foi o único da Amazônia. Em breve, um novo roteiro será incluído na lista dos já existentes: o roteiro do bairro Umarizal, local social e historicamente importante para a cidade de Belém.

Ed.140 - Dezembro e Janeiro de 2017 / 2018

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