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Resenha

Publicado: Quinta, 30 de Janeiro de 2020, 19h24 | Última atualização em Quinta, 30 de Janeiro de 2020, 20h01 | Acessos: 1005

Quatro séculos de presença portuguesa na Amazônia

Walter Pinto

Histórias de vida, arte, engenharia, diplomacia, imprensa, educação, literatura. Esses são alguns dos temas da rede de relações tecida entre Portugal e a Amazônia que a coletânea O imenso Portugal – estudos luso-amazônicos traz à tona, em suas 400 páginas. Organizado pelos historiadores Maria de Nazaré Sarges, Aldrin Moura de Figueiredo e Maria Adelina Amorim, o livro revela novos aspectos dessa convivência, desde a chegada de Castelo Branco à representação que se fazia dos portugueses na capital paraense, segundo a recriação literária de Dalcídio Jurandir, no clássico Belém do Pará. Editado pela UFPA/Cátedra João Lúcio de Azevedo, O imenso Portugal é uma coletânea de 17 artigos escritos por historiadores e literatos de Belém e de Manaus “sobre esse novelo de narrativas que encenam a presença portuguesa no extremo norte da América do Sul”, como sintetizam os organizadores na apresentação da obra.

A coletânea é mais um contributo da Cátedra João Lúcio de Azevedo para estreitar os vínculos de cooperação entre a Amazônia e Portugal. A instituição foi criada em 2017, por meio de protocolo entre a Universidade Federal do Pará e o Camões - Instituto da Cooperação e da Língua. Dirigida pela historiadora e professora da UFPA Maria de Nazaré Sarges, a cátedra começou a funcionar em junho de 2018 e, em pouco mais de um ano, esteve à frente de eventos importantes, como a exposição “Saramago – os pontos e a vista”, a montagem do espetáculo “A Carta de Caminha” e a mostra “Maria da Glória: Princesa e Rainha de Portugal”. A homenagear o historiador João Lúcio de Azevedo com o seu nome, a cátedra faz o reconhecimento ao importante intelectual português que viveu no Pará desde os 18 anos e foi um dos maiores historiadores da vida luso-amazônica, autor do clássico Os jesuítas no Grão-Pará.

O título O imenso Portugal remete à relação singular que o Grão-Pará manteve com a metrópole lusa comparada ao restante do Brasil, numa época em que a colônia do extremo norte era considerada “A Sentinela do Norte na América lusitana”. Além disso, diz respeito também à vida lusitana na Amazônia durante o Império e o alvorecer da República no Brasil. O livro registra, no texto de Aldrin Figueiredo, uma consequência da chegada dos portugueses ao extremo norte: o apagamento da memória tupinambá, como o topônimo Mairi, que denominava aquelas terras, substituído por novos nomes brancos, de origens lusas, ainda hoje presentes na vida dos moradores de Belém, entre os quais Forte do Castelo, Largo da Sé e Ladeira do Castelo.

Wânia Viana e Rafael Chambouleyron voltam ao período de expansão da economia colonial no Maranhão e no Pará, para examinar a trajetória dos engenheiros militares portugueses Pedro de Azevedo Carneiro, José de Azevedo e Carlos Varjão Rolim como construtores de fortalezas que serviram à defesa da Amazônia Colonial, assim como a própria inserção deles na sociedade local. A historiadora Magda Ricci busca, na inquietação reinante na região, entre o final do século XVIII e a segunda metade do século XIX, as raízes coloniais da Cabanagem, tema em que se tornou especialista. Foca sua atenção, sobretudo, na ação dos governadores do Grão-Pará durante a guerra entre Portugal e França.

Diferentemente dos estudos historiográficos que buscam explicar a formação histórica da Amazônia por meio de sucessivos ciclos extrativistas, Daniel Barroso e Mábia Freitas partem do caso do comerciante lisboeta Joaquim Antônio da Silva, que, tendo chegado à Amazônia aos 16 anos, amealhou considerável fortuna, calculada em mais de 100 contos de réis, posse sobre 157 escravos, extensas propriedades rurais, além de imóveis em Belém. Os autores buscam, assim, observar transformações operadas na economia do Pará que vão além dos ciclos extrativistas. A doutoranda Anndrea Tavares traz à tona um núcleo de portugueses pouco conhecidos da literatura historiográfica local - os naturais do distrito de Aveiro, imigrados para o Pará, onde se dedicaram a atividades nos rios da região.

A coletânea é formada, ainda, por outros doze artigos sobre as experiências dos portugueses em terras amazônicas. Segundo seus organizadores, a coletânea é um “espólio de conhecimento e de memórias com as quais a Cátedra João Lúcio de Azevedo e a Universidade Federal do Pará vislumbram novos quadrantes do imenso Portugal, investindo na leitura do passado, em constante diálogo com o presente”.

Serviço: O imenso Portugal - estudos luso-amazônicos. Edição: UFPA/Cátedra João Lúcio de Azevedo. 400 páginas. À venda na Livraria da UFPA.

Ed.153 - Fevereiro e Março de 2020

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