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Opinião

Publicado: Sexta, 11 de Dezembro de 2020, 15h22 | Última atualização em Terça, 02 de Fevereiro de 2021, 20h14 | Acessos: 1652

Mulheres e as carreiras STEM na UFPA

 

Por Ester Ferreira da Silva Foto Acervo pessoal

Os números têm o grande poder de revelar, confirmar e permitir que conheçamos fatos que não percebíamos e/ou confirmar aquilo que suspeitávamos. As estatísticas globais evidenciam que, nos campos científicos e tecnológicos (C&T), há poucas mulheres. Apesar de esses números terem aparentemente melhorado nas últimas décadas, as disparidades continuam sendo significativas e a participação da mulher na C&T não avançou, tendência que não é casual.

Ao observarmos o contexto histórico feminino na C&T, o fato reiterado é a luta e as dificuldades das mulheres para se tornarem cientistas. Muitas tiveram seus trabalhos desvalorizados, outras foram diretamente prejudicadas pela comunidade científica e poucas se destacaram. Levadas ao esquecimento, não se tornaram ícones para inspirar meninas de gerações posteriores a seguirem carreiras em C&T.

Escolher uma profissão não é algo simples, uma vez que as escolhas estão ligadas ao meio sociocultural e suas atribuições de gênero (VILHJÁLMSDÓTTIR; ARNKELSSON, 2013). A família e a escola socializam, de forma diferente, meninos e meninas, influenciando as escolhas profissionais no que tange à C&T. Ao estimularem mais os meninos em atividades que exploram a C&T, facilitando acesso a videogames, computadores e celulares, pais e professores criam o estereótipo da tecnologia e da ciência como “coisas de meninos”. Essa situação provoca nas meninas o desinteresse e até a ansiedade ligada ao computador (COOPER, 2006); enfraquece suas competências digitais e sua assertividade nos temas articulados à ciência, colocando-as em desvantagens no ingresso de cursos da área STEM (do acrônimo em inglês Science, Technology, Engineering and Mathematics).

Nossa pesquisa Exclusão de gênero em ciência e tecnologia na perspectiva da Ciência da Informação, instigada pelo quadro aqui exposto, foi um diagnóstico da UFPA, desenvolvido no Mestrado em Ciência da Informação. Investigamos a existência de desigualdades de gênero em C&T, nos cursos da área STEM da UFPA, reunidos no Instituto de Tecnologia (ITEC) e no Instituto de Ciências Exatas e Naturais (ICEN).

Reunimos estatísticas do período de 2011 a 2019, incluindo 11.066 estudantes aprovados/as nos vestibulares para área STEM. Apenas 30% foram mulheres, tornando a área um domínio masculino. Neste cenário, as mulheres centraram-se em cursos mais relacionados com o chamado “papel social feminino”, segundo o qual, pensar sobre o conforto e a saúde das pessoas e proteção à natureza envolve Arquitetura e Urbanismo (63%), Engenharia da Alimentação (65%) e Engenharia Sanitária e Ambiental (58%). Em contrapartida, na área da computação, na qual demandam fortes competências digitais, os índices de mulheres foram os piores: 12% em Ciência da Computação, 15% em Engenharia da Computação e 11% em Sistemas de Informação.

Mais mulheres cancelaram suas matrículas do que os homens, porém, além das significativas desistências femininas na computação, a maior desistência deu-se no curso de Física (39%). É tão pronunciada a diferença numérica entre homens e mulheres nos cursos STEM que numericamente os homens foram maioria na conclusão dos cursos, mas observamos que, na comparação do percentual de conclusão dentro dos grupos masculino e feminino, as mulheres se mostraram melhores concluintes (42% das mulheres versus 31% dos homens).

Na pós-graduação, das 5.877 matrículas em mestrado e em doutorado, apenas 30,8% foram de mulheres, e na passagem entre mestrado e doutorado, 59% das mulheres desistiram. Posteriormente, essa alta desistência feminina na pós-graduação mantém a baixa presença feminina nos quadros de docentes pesquisadores em STEM da UFPA, nos quais os homens são 4,7 vezes mais do que as mulheres.

A participação efetiva da mulher em C&T e na sua indústria relacionada está associada com sua presença na academia, pois é o local em que estão as mentoras que estimulam, guiam e protegem as novas gerações de meninas cientistas e tecnólogas. Entender a desigualdade de gênero em C&T na UFPA torna necessário identificar os fatores que dificultam a formação das jovens, pois é uma perda de capital intelectual e de talentos para a UFPA e para o Pará.

Ester Ferreira da Silva – Graduada em Matemática; MBA em Recursos Humanos; Mestre em Ciências da Informação.
E-mail: ester.f.da.silva@gmail.com

Beira do Rio edição 157

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