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Pavilhões do Básico em nova era

Publicado: Quinta, 11 de Março de 2021, 21h44 | Última atualização em Sexta, 12 de Março de 2021, 17h59 | Acessos: 1219

Políticas afirmativas e serviços à comunidade ganham mais espaço

Ao encontrar um novo uso para os pavilhões do Básico, a UFPA preserva o projeto original do professor Alcyr Meira, que pretendeu harmonizar os prédios ao ambiente amazônico, nesse caso, à beira do rio.
imagem sem descrição.

Por Walter Pinto Foto Alexandre de Moraes

Os pavilhões do básico completam, em agosto, 53 anos de bons serviços prestados à causa universitária. Meio século e mais um pouquinho de aulas que mudaram e moldaram gerações. Cada bloco, identificado por uma letra, identificava uma faculdade. Os estudantes do bloco A, por exemplo, eram de Ciências Sociais, os do bloco B, de História. Quem passou pelos pavilhões do Básico tem sempre uma boa história para contar dos tempos de universitário. Os pavilhões de um só pavimento seguem os traços de um projeto considerado modelo à época da inauguração. Pretendeu harmonizar os prédios ao ambiente amazônico, à beira do rio Guamá, o que não aplacou o calor nas salas de aula, principalmente nas aulas das 14 horas. Melhorou muito quando a refrigeração foi instalada, mas isso é história recente. Depois que o Mirante do Rio entrou em funcionamento, os pavilhões do Básico foram desativados. Cogitou-se a demolição, mas optou-se por lhes preservar a história. Meio século depois, entram em nova fase, agora com novos usos. Bom para todos.

Nos últimos anos, o Campus Básico da UFPA verticalizou a sua estrutura física. Novos prédios de três a quatro andares estão sendo construídos para abrigar uma população de estudantes que não para de crescer em decorrência do próprio crescimento da Instituição. O pioneiro Mirante do Rio, com 64 salas de aula, é emblemático. Equivale a quase 13 pavilhões. Num momento em que, no Campus Básico, já há poucos espaços para novas construções, construir 13 pavilhões seria impossível. Nessas condições, a antiga estrutura de blocos térreos se tornou anacrônica.

No entanto continuará existindo, não só como parte indissociável da história da Instituição, mas também como espaço a serviço de novas finalidades que demanda a inserção da UFPA no mundo contemporâneo. Quando as aulas presenciais retornarem, os estudantes perceberão que os antigos blocos de aulas do Básico agora abrigam novas atividades. É possível agrupar essas atividades em três núcleos. O primeiro, voltado para as Atividades Comunitárias e Estudantis, formado pelo Pavilhão da Inclusão, Memorial César Moraes Leite, pavilhões dos Centros Acadêmicos, Pavilhão da Superintendência de Assistência Estudantil (Saest) e da Assessoria de Diversidade e Inclusão Social (ADIS). O segundo, destinado ao recém-criado Centro de Internacionalização da UFPA, abrange cátedras, casas de estudos estrangeiros, escritório de recepção de docentes e discentes estrangeiros, salas para cursos de línguas estrangeiras e espaços para palestras e cursos sobre culturas estrangeiras. O terceiro, em fase de estruturação, reunirá um centro de apoio a eventos e atividades acadêmicas diversas.

Segundo o reitor Emmanuel Tourinho, “quando começamos a conversar sobre o espaço do Campus Básico, havia a ideia de demolir os antigos pavilhões de salas de aula. Todavia recebemos a recomendação de preservar esses espaços, em razão de seu valor histórico para a Instituição. Optamos, então, por rediscutir o assunto observando três premissas: garantir a preservação da memória relacionada ao espaço; destiná-lo a atividades de interesse do conjunto da comunidade universitária, acolhendo os diferentes grupos sociais que formam a UFPA; apoiar projetos de qualificação do ambiente de formação”. Foi assim que os blocos projetados pelo arquiteto Alcyr Meira ganharam novos usos, passando a abrigar unidades afins, em espaços mais acessíveis e de maior visibilidade. Em todos os pavilhões, está sendo implementada uma sinalização (identificação das salas) que respeita as linhas arquitetônicas do projeto original do professor Alcyr Meira.

Acessibilidade e visibilidade para ADIS e Saest

Espaços adequados, acessibilidade e visibilidade são ressaltados pela geneticista Isabel Rosa Cabral, da ADIS: “toda a área de inclusão social da UFPA está agora junta. As unidades estão instaladas em espaços adequados, mais visíveis e fáceis de serem acessados. A ADIS está funcionando no pavilhão C, um bloco térreo, dotado de rampas e próximo ao Restaurante Universitário, local de grande afluência de estudantes.”

O espaço ocupado pela ADIS é, na verdade, sua primeira sede. Criada oficialmente em 2017, a ADIS, coordenada pela professora Zélia Amador de Deus, não dispunha de um espaço físico definido. As reuniões eram realizadas em salas e espaços físicos ligados aos membros da assessoria, ora no IFCH, ora no ICB. Eram muitos os problemas decorrentes dessa falta de espaço físico próprio. “Não havia uma secretaria, os processos chegavam e ficavam sob guarda dos membros da ADIS, havia uma dificuldade para a clientela localizar a assessoria. Os locais das reuniões e os atendimentos tinham que ser previamente combinados com os interessados”, informa Isabel Cabral.

Instalada no mesmo pavilhão da Saest, a ADIS está ao lado do Pavilhão da Inclusão. “A Saest dá suporte a estudantes de baixa renda, com deficiência ou em situação de vulnerabilidade. Tem um amplo trabalho de inclusão social. A ADIS atua com populações estudantis indígenas, quilombolas e LGBTQIA+. Trabalhamos no atendimento de problemas pontuais e na construção de políticas afirmativas. No pavilhão seguinte, o Pavilhão da Inclusão, estão instaladas as salas das associações de estudantes estrangeiros, indígenas, quilombolas e de pessoas com deficiência. Então, não poderíamos estar em outro lugar”, explica Isabel Cabral, não escondendo a satisfação com o trabalho que realiza, agora em instalações apropriadas, privilegiadas pelo cenário que se descortina através da janela: as águas do imenso Rio Guamá.

Verticalização é tendência diante do crescimento

Recentemente todos os antigos pavilhões de aula do Campus Básico foram reformados. Parte deles atende a novos usos, informa Rômulo Antônio Chaves Lopes, engenheiro que atua na diretoria de Espaço Físico da Prefeitura da UFPA. Ele explica que a questão da reutilização dos blocos do Campus Básico “surgiu em função de uma urgência de realocar algumas unidades, como os centros acadêmicos e a própria Saest, cuja estrutura estava toda concentrada em salas da Reitoria”.

A Prefeitura do Campus Universitário José da Silveira Netto enfrenta um grande desafio quando se trata de áreas para novas edificações, principalmente no Campus Básico. “Temos que realizar análises bem detalhadas para encontrar esses espaços. A tendência é verticalizar os prédios porque o número de alunos na UFPA não para de crescer”, informa Lopes. A prefeitura vem trabalhando com quatro modelos de blocos padronizados, o maior deles com quatro pavimentos. Segundo o engenheiro, eles facilitam e dão maior agilidade ao processo de licitação. Um dos mais novos prédios do Campus Básico a entrar em funcionamento foi o prédio do ILC /IFCH, quase em frente ao Centro de Eventos Benedito Nunes.

Enquanto dispôs de recursos financeiros do Reuni, Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais, instituído pelo governo federal em 2007, o campus virou um canteiro de obras, prédios foram construídos ou iniciados em vários lugares. “Havia recurso e um prazo curto para licitar, então não houve tempo para maiores estudos, sob pena de a Instituição perder dinheiro, o que seria trágico. Com o atual corte de verbas, tivemos que desacelerar esse crescimento, até certo ponto, desordenado”, explica Rômulo Lopes.

A tendência é que os novos prédios sejam mais eficientes. Com esse objetivo, a prefeitura estabeleceu parceria com equipes de pesquisadores do Instituto de Tecnologia da UFPA. “O ITEC tem pessoal renomado em diversas áreas. Eles estão nos ajudando nas análises, planejamento e, principalmente, na formulação de projetos”, informa Lopes.

Enquanto a Reitoria e a prefeitura buscam estabelecer quais são as obras mais importantes e prioritárias, os trabalhos continuam. Com recursos obtidos de emendas parlamentares negociadas pela Reitoria, foi iniciada a construção do prédio que abrigará o Cinema, a Livraria e a Editora da UFPA, ao lado do Mirante do Rio. A obra da orla também entrou na fase final no Campus Básico, com as etapas de sinalização e paisagismo. Novas vias foram abertas para facilitar o fluxo de pessoas e de veículos, e novas vagas para estacionamento foram disponibilizadas aos frequentadores da Universidade.

Beira do Rio 158

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