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Duas festas para São Benedito

Publicado: Quarta, 23 de Junho de 2021, 03h39 | Última atualização em Quarta, 23 de Junho de 2021, 16h42 | Acessos: 1175

No Jurunas, as festividades desfilam carnavalização, fé e afeto

Entre a última semana de julho e a primeira de agosto, a população do bairro Jurunas se reúne para festejar Santo Preto.
imagem sem descrição.

Por Matheus Luz Foto Acervo da Pesquisa

Jurunas é um dos bairros mais populosos de Belém (PA) e abriga uma grande efervescência cultural da cidade, com festividades artísticas e religiosas. É nesse bairro, localizado em área periférica da capital paraense, que ocorrem duas festividades dedicadas a São Benedito, entre julho e agosto, reunindo grande quantidade de pessoas em eventos carregados de simbolismo e espetacularidade.

Resultado de 12 anos de imersão nesse universo, o professor Eduardo Wagner Nunes Chagas compartilha experiências e observações vividas nas duas festividades, na tese intitulada O Auto do Santo Preto e a Bênção das Três Fomes: a carnavalização-afeto das festividades jurunenses de São Benedito em Belém do Pará, defendida no Programa de Pós-Graduação em Artes (PPGArtes) do Instituto de Ciências da Arte (ICA/UFPA), sob orientação do professor Miguel de Santa Brígida Júnior.

O pesquisador apresenta os eventos como complexos simbólicos que se desenvolvem baseados nas relações de afeto e no estado de espírito carnavalizado. De acordo com Eduardo Wagner, a sua experiência como carnavalesco em escolas de samba em Belém lhe deu ferramentas para desenvolver o processo de pesquisa utilizando uma metodologia formulada na Etnocenologia, estudo dos comportamentos e das expressões humanas consideradas como “espetaculares”. O autor explica que seu local de fala não se restringe às vivências acadêmicas, mas inclui a sua vida afetiva e artística.

A tese resultou no desenvolvimento de um enredo carnavalesco e um desfile de escola de samba em maquete chamado O Auto do Santo Preto e a Bênção das Três Fomes. O desfile participou do concurso promovido pela União das Escolas de Samba de Maquete (UESM), em 2019, representando a Escola de Samba Arco-Íris, dirigida por Eduardo Wagner. O material produzido está disponível on-line no YouTube, com um vídeo complementar explicativo da pesquisa e da produção do desfile.

Rua dos Timbiras é o palco das festividades

As festividades de São Benedito, no Jurunas, têm como palco a Rua dos Timbiras. Mesmo sendo festividades distintas, para o pesquisador se trata de um único acontecimento. Desde 1932, na última semana de julho, acontece a primeira festa no Centro Comunitário da Rua dos Timbiras. A segunda festividade ocorre na primeira semana de agosto, desde 1955, na Irmandade de São Benedito. Os eventos são compostos por procissões, celebrações religiosas e artísticas e reúnem os moradores do local.

Para Eduardo Wagner Chagas, o bairro é atravessado por características sociais e culturais e condicionado ao título de “marginal”. “O afeto aos santos, o sentido de ser parte da ‘nação jurunense’, se fortalece como contraponto à segregação que está arraigada desde o surgimento do bairro. A pluralidade de suas festas e as devoções são materializações de resistência às condições sociais difíceis, à violência, ao preconceito e à pobreza”, declara o pesquisador.

Muitos são os simbolismos que compõem as festividades. O autor destaca as imagens de São Benedito como o centro do imaginário e dos afetos da população, bem como outros objetos que receberam importância e sacralidade ao longo dos anos, como os andores e a berlinda da Irmandade de São Benedito. Eduardo Wagner ressalta a democratização dos eventos, dos quais todos podem participar, “de travestis a beatos”.

“A devoção a São Benedito, no Jurunas, é um tipo único. É uma relação entre o Santo e os seus. A Igreja não toma partido, apenas observa. Para interferir, precisa negociar com os devotos, pois a festa é deles e do seu Santo”, relata o pesquisador.

A tese traz reflexões sobre as festividades com base no conceito de “carnavalização-afeto”. “O conceito sustenta o entendimento de que a manutenção das festividades se dá pelo afeto envolvido em suas inúmeras dimensões – a nação jurunense, a resistência e o santo –, amalgamado ao sentido de festa carnavalizada. Assim, o afeto ao santo é materializado por meio da festa livre, mas permitida pelo santo, pois é o modo de louvação popular do jurunense”, explica Eduardo.

Saiba mais sobre a pesquisa

Acesse o vídeo apresentado como defesa da tese: https://youtu.be/iR0DWtEoMzo

e assista ao desfile de maquete: https://youtu.be/0gexdEfww5o

Beira do Rio edição 159

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