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A língua de sinais chega ao consultório

Publicado: Quinta, 05 de Dezembro de 2019, 19h19 | Última atualização em Quinta, 05 de Dezembro de 2019, 20h12 | Acessos: 824

Cartilha deve facilitar a comunicação entre profissional e paciente

A cartilha foi ilustrada com fotos da própria autora fazendo as sinalizações em Libras, de acordo com as normas da ABNT.
imagem sem descrição.

Por Flávia Rocha Fotos Acervo da pesquisa

A Língua Brasileira dos Sinais (Libras) é uma língua gestual, usada pela comunidade surda brasileira. Reconhecida como língua oficial desde 2002, a Libras não é a simples gestualização da língua portuguesa. Ela foi criada, aos poucos, por seus usuários e possui fonologia, morfologia, sintaxe e semântica próprias. A Língua Brasileira dos Sinais nos fornece as ferramentas necessárias para estabelecermos a comunicação com indivíduos da comunidade surda, por isso é preciso que, dentro e fora da universidade, profissionais busquem conhecê-la.

Por esse motivo, a dentista Rafaela Santos dos Santos desenvolveu a Cartilha Ilustrada: Odontologia e Libras, a qual faz uma compilação de expressões e termos que podem facilitar o atendimento de pacientes surdos. “O meu objetivo foi despertar o interesse dos acadêmicos e profissionais de Odontologia sobre o assunto, para que o paciente surdo possa ser atendido de forma adequada”, explica. Com orientação da professora Vânia Castro Corrêa, a pesquisa foi premiada como o Melhor Trabalho de Conclusão de Curso de Odontologia da Universidade Federal do Pará, do ano 2019.2.

“Primeiramente, fizemos um levantamento sobre os sinais que já existiam. Procuramos em artigos, em mídias, como o youtube e no dicionário trilíngue do professor Capovilla. O website Odontologia em Libras, da Universidade Federal de Campo Grande, foi de muita ajuda, além da cartilha Aprendendo Língua de Sinais, do professor Cléber Couto. Eu me baseei nessas referências e selecionei as expressões mais pertinentes para uma cartilha desse tipo”, conta Rafaela Santos.

A cartilha inicia situando o dentista/cirurgião a respeito de aspectos básicos da língua, como o alfabeto e as saudações, depois traz os dias da semana, os meses do ano e alguns verbos. Há um item que ilustra os sinais para expressões antônimas (como “certo” e “errado”, “fácil” e “difícil” etc.).

“Os tópicos foram organizados de acordo com o que ocorre em uma consulta: inicia-se com as saudações. Sinais comuns à área da saúde, como ‘gripe’, ‘hepatite’, e outros termos específicos das especialidades odontológicas, como ‘prótese dentária’ e ‘ortodontia’, também podem ser encontrados”, expõe a pesquisadora. As ilustrações da cartilha são fotos da própria autora fazendo as sinalizações, produzidas de acordo com as normas da ABNT.

Novos sinais dentro do contexto local 

Rafaela Santos já possuía conhecimento prévio da língua, pois é certificada com curso de Libras. “Além do curso, eu também fui bolsista de um projeto de extensão, com foco em educação em saúde bucal e realizava palestras que eram interpretadas em Libras para a comunidade surda. Após essas vivências, percebi que a temática deveria ser aprofundada. A ideia de fazer uma cartilha veio dessa experiência”, afirma a pesquisadora.

“Durante a graduação, fui monitora de uma aluna surda e senti de perto as dificuldades. O curso de Odontologia já é difícil, agora imagina quando não se tem os termos em Libras. Acredito que este trabalho poderá ajudar não apenas no atendimento do paciente mas também no ensino da Odontologia no Brasil”, avalia a dentista.

Rafaela pretende dar continuidade ao trabalho. A próxima etapa será a produção de uma monografia, com foco na criação de sinais específicos da Odontologia que ainda não existem no contexto paraense. “Este trabalho é muito meticuloso, demora a ser feito. É necessário investir tempo e amor no projeto”, diz a autora. “Eu pretendo apostar em algum ramo específico da Odontologia, como principais doenças que afetam a cavidade oral”, revela.

A intenção de publicar um livro com esses sinais e contribuir tanto com os acadêmicos quanto com o diagnóstico de pacientes. “Acredito que a pesquisa ajudará a disseminar a ideia de que todas as pessoas surdas precisam de um olhar mais sensível. É nosso dever, como universidade pública, ultrapassar essa barreira, que é o entrave da comunicação”, afirma Rafaela Santos. A cartilha está disponível para download gratuito no site www.odontologiaelibras.com

Ed.152 - Dezembro e Janeiro de 2019 / 2020

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