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Opinião

Publicado: Segunda, 13 de Abril de 2020, 20h10 | Última atualização em Segunda, 27 de Abril de 2020, 21h38 | Acessos: 936

Dalcídio Jurandir para novos públicos

Por Joaquim Martins Cancela Júnior Foto Acervo Pessoal

O Laboratório de Estudos da Tradução de Soure (Letraduso) surgiu como fruto imediato do Doutoramento Interinstitucional (Dinter) entre a UFPA e o Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução (PGET/UFSC), em uma iniciativa conjunta de um grupo de seus egressos de diversas unidades e setores da UFPA. Estrategicamente sediado na microrregião do Arari, o projeto tem como primeiro ciclo de produção, em parceria com a Casa de Cultura Dalcídio Jurandir, estudar e traduzir o proeminente autor marajoara, a começar pelo livro Chove nos Campos de Cachoeira, o primeiro do chamado Ciclo do Extremo Norte.

Compõem o grupo de pesquisa e tradução os professores Antônio Sérgio Pinto (Falem/Belém), Ivan Souza (Faculdade de Letras/Castanhal), Lilian Pereira (FACL/ Abaetetuba), Francisco Ewerton dos Santos (Escola de Aplicação da UFPA) e ainda Joaquim Cancela e André Lima, coordenadores do projeto, ambos da Faculdade de Letras/ Soure. Com base na proposta de Haroldo de Campos e seu Laboratório de Textos (2002), o grupo é formado por profissionais de diversas áreas do curso de Letras, de maneira que as competências se complementam.

Dalcídio Jurandir é objeto de estudo de, pelo menos, quatro projetos de pesquisa coordenados pela professora Marli Tereza Furtado (UFPA), sendo o mais recente voltado para a produção jornalística do autor; também de diversos artigos científicos, tais como As oscilações de um ciclo romanesco, escrito por Benedito Nunes, e Dalcído Jurandir, uma leitura do caroço de tucumã: vias de sonho e fantasias, de Rosa Assis; e ainda de teses, como a do professor Paulo Jorge Martins Nunes, Útero de Areia, um estudo do Romance Belém do Grão-Pará, de Dalcídio Jurandir, pela PUC-Minas.

A reedição de Chove nos Campos de Cachoeira apresentada por Rosa Assis foi apontada por Roberto Kahlmeyer-Mertens como indicativo do crescente interesse em revisitar a obra de Dalcídio Jurandir que, “durante as primeiras décadas do século XX, foi lido, reconhecido e admirado pelas gerações de Graciliano Ramos e Jorge Amado” (KAHLMEYER-MERTENS, 2011). Em seu artigo de jornal, o colunista escreve sobre a força e a identidade narrativa do romance que compõe o que Benedito Nunes chamou de “ciclo romanesco”, também acerca do enredo do livro e ainda da rotulação sofrida pelo autor, por conta do caráter regional de sua obra.

No que diz respeito a esse aspecto, o professor Gunter Karl Pressler (UFPA), que já conduziu vários projetos de pesquisa sobre Dalcídio e sua obra e, atualmente, coordena o Projeto de Extensão “As vozes subalternas. Mulheres na obra de Dalcídio Jurandir”, escreve o ensaio Dalcídio Jurandir - a escrita do mundo marajoara não é regional, é universal, em que aponta o autor marajoara como parte do grito do absurdo na literatura moderna brasileira, bem como discorre sobre a intenção poética e a composição da obra, destacando aspectos como sua linguagem altamente poética, o recurso linguístico moderno e o tempo da narrativa. Para ele, os aspectos regionais na obra de Dalcídio não são genéricos e “expressam a qualidade humana como tal” (PRESSLER, 2002:4).

Reforçando este movimento de retorno a Dalcídio Jurandir, o Letraduso apresentará, dentro de dois anos, a primeira tradução de um livro do autor para a língua inglesa, tencionando ainda fazer o mesmo para a língua espanhola no biênio seguinte. Buscando ampliar o alcance da obra do premiado autor marajoara, o grupo inaugura seu trabalho consciente da responsabilidade que tem em mãos e inicia sua jornada de pesquisa e tradução.

Joaquim Martins Cancela Júnior – Professor Adjunto da UFPA e coordenador do Projeto Letraduso. E-mail: jmcj@ufpa.br

Ed.154 - Abril e Maio de 2020

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