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Opinião

Publicado: Terça, 03 de Março de 2020, 19h30 | Última atualização em Terça, 03 de Março de 2020, 19h32 | Acessos: 1155

 

Joias ameaçadas: os anfíbios em perigo de extinção no Brasil

Por Pedro Peloso Foto Pedro Peloso

Mais de 8.000 espécies de anfíbios habitam o planeta. São centenas de formas diferentes de sapos, rãs e pererecas, além das menos conhecidas salamandras e cecílias. O Brasil é o país com a maior riqueza de anfíbios no mundo, uma em cada oito espécies está presente em nosso território.

Infelizmente, uma boa parte dessa diversidade está ameaçada. Estimativas globais sugerem que até 40% das espécies de anfíbios podem sofrer algum risco de sumir do planeta nos próximos anos. Segundo a Lista Oficial das Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção, publicada em 2014 pelo Ministério do Meio Ambiente, 41 espécies de anfíbios sofrem algum grau de ameaça no Brasil, além de uma espécie que já é considerada extinta.

Embora a proporção de espécies ameaçadas no Brasil pareça pequena levando em consideração a diversidade existente no país, o número pode ser muito subestimado. A probabilidade de que esse número seja muito maior é altíssima. Muitas espécies no Brasil são tão pouco estudadas e conhecidas que nem sequer podemos fazer uma avaliação do seu grau de ameaça.

Um fator importante que contribui para essa realidade é que o número de pesquisadores especialistas em anfíbios no Brasil ainda é muito baixo. Isso faz com que nosso conhecimento acerca da real diversidade do grupo seja muito aquém do ideal. Além disso, é muito mais difícil convencer as pessoas sobre a importância da conservação de sapos e pererecas do que convencê-las a defender baleias, araras-azuis ou macacos, por exemplo.

Foi pensando nisso que resolvi, com alguns colegas, unir minha pesquisa com anfíbios brasileiros à minha paixão pela fotografia. Criei, então, um projeto focado na documentação das espécies de anfíbios ameaçadas de extinção no Brasil. Por meio do Projeto Documenting Threatened Species (DoTS), estamos viajando por todo o Brasil para fazer um detalhado portfólio desses animais.

A principal motivação é mostrar para as pessoas que esses animais são belíssimos e, muitas vezes, raros - verdadeiras joias da natureza. Queremos fazer com que as pessoas mudem sua percepção sobre os anfíbios e criem simpatia pelo grupo, aumentando, assim, as chances de que políticas efetivas de conservação sejam implementadas com o apoio popular.

Em menos de um ano, fotografamos, em seis estados diferentes, 11 das 41 espécies ameaçadas. Entre os anfíbios brasileiros em perigo de extinção, está a Salamandra-do-Pará (Bolitoglossa paraensis), espécie que só ocorre por aqui, no estado do Pará. Somente cinco espécies de Salamandras existem no Brasil, o que só aumenta a importância da preservação das espécies desse grupo.

O DoTS registrou, em 2019, imagens raríssimas da Salamandra-do-Pará em seu ambiente natural. Espero que as imagens feitas pelo projeto demonstrem a beleza incomparável dos anfíbios brasileiros e convençam você, leitor, de que vale a pena preservar essa riqueza, inexistente em qualquer outro lugar do planeta. Para saber mais sobre o projeto, visite www.projetodots.org ou confira a página do DoTS no Instagram (@projeto_dots).

Pedro Peloso – professor de Zoologia e Evolução, do Instituto de Ciências Biológicas na Universidade Federal do Pará. Fotógrafo, explorador da National Geographic, criador e diretor do Projeto DoTS, que visa documentar e mostrar para o mundo as espécies brasileiras ameaçadas de extinção. E-mail: pedropeloso@ufpa.br

Ed.153 - Fevereiro e Março de 2020

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