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As mudanças climáticas estão na pauta?

Publicado: Terça, 15 de Outubro de 2019, 14h42 | Última atualização em Terça, 15 de Outubro de 2019, 16h39 | Acessos: 215

Estudo analisa discursos de O Liberal e Folha de S. Paulo

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Por Nicole França Foto Alexandre de Moraes

A mídia possui um papel fundamental não só na divulgação de informações como também na introdução e no fomento de debates públicos sobre assuntos importantes para a sociedade em geral. Reconhecendo essa importância da mídia e dos veículos de comunicação para a conscientização e para o desenvolvimento de discussões, André Luiz Palmeira da Silva analisou, em sua dissertação, o discurso a respeito das mudanças climáticas produzido nas coberturas sobre meio ambiente dos jornais O Liberal e Folha de S. Paulo.

A dissertação O discurso midiático sobre mudanças climáticas: análise da cobertura ambiental de O Liberal e Folha de S. Paulo, defendida no Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia (PPGCOM/ILC), investigou as matérias produzidas pelos dois jornais durante todo o ano de 2015. Tal período foi escolhido em virtude da realização da Conferência do Clima em Paris (COP-21), ocorrida entre novembro e dezembro de 2015.

“O objetivo da pesquisa foi analisar a grande mídia, por isso optei pela escolha de O Liberal e da Folha de S. Paulo. Então, pude analisar os discursos produzidos sobre a temática tanto nacionalmente quanto regionalmente, tendo em vista que a produção nacional interfere na produção regional”, afirma André Palmeira.

Na pesquisa, André Palmeira utilizou conceitos como a Semiologia dos Discursos Sociais para analisar um total de 38 textos do jornal Folha de S. Paulo e 27 textos de O Liberal, acessados por meio da plataforma on-line dos respectivos veículos. A pesquisa buscou analisar os textos informativos, como reportagens e notícias, bem como editoriais.

Além da análise do discurso dos jornais, a dissertação também apresenta a temática das mudanças climáticas tanto no contexto do Brasil e da Amazônia quanto em um contexto mundial, ao abordar as Conferências Mundiais do Clima (COPs). O estudo também discute temas como desenvolvimento sustentável.

Em O Liberal, não há caderno específico para o tema

Com base na investigação das publicações do jornal O Liberal no ano de 2015, o pesquisador pôde constatar a falta de um caderno específico sobre meio ambiente. Dessa forma, os textos eram encontrados em cadernos e seções como: Cidades (Atualidades), Poder (Mundo), Poder (Política) e Atualidades (Opinião).

Nos 27 textos escolhidos para análise, André Palmeira identificou que apenas um dos textos possuía assinatura de um jornalista. “Apesar de ter mais matérias sobre meio ambiente do que eu esperava, percebi que havia pouco material feito pela redação e que grande parte dele era fruto de agências de notícias, o que deixa a cobertura do jornal bastante informativa, mas sem personalidade regional. Tal fato se torna problemático, pois é um jornal que está em um lócus que é a Amazônia”, avalia.

Segundo o pesquisar, a reprodução de textos feitos por agências de notícias dificultou a análise do posicionamento do próprio jornal. Apesar disso, com o material obtido, o pesquisador identificou que os elementos discursivos mais utilizados por O Liberal estavam voltados para os temas científico, ambiental e político.

“Quando se tratava da temática científica, O Liberal baseava-se bastante em estudos científicos, como na matéria intitulada Pecuária e fogo emitem metano na Amazônia, fundamentada em um estudo do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), da Universidade de São Paulo (USP); e na matéria Brasil reduziu em 15% gases de efeito estufa”, que se baseia em um estudo realizado pelo Observatório do Clima”, expõe o pesquisador.

Folha de S. Paulo manteve postura ‘morde e assopra’

Diferentemente de O Liberal, a Folha de S. Paulo apresentou poucos textos sem assinatura ou provenientes de agências de notícias. Os 38 textos escolhidos para análise se dividiam entre reportagens, notícias e editoriais. A Folha apresentou como elementos discursivos frequentes as temáticas científica e política – esta apresentava aspectos econômicos e empresariais em seu discurso, e a temática ambiental.

A Folha utilizou muito o discurso político e, nesse discurso, eu pude perceber, digamos assim, uma posição de ‘morde e assopra’ com o governo. O discurso era alternado entre positivo e negativo no que se refere às mudanças climáticas. O viés negativo era sempre um pouco mais enfatizado, de forma que os esforços do país, governado por Dilma Rousseff na época, eram ressaltados, mas as críticas vinham em seguida”, explica André Palmeira.

Além da temática política, o pesquisador também identificou um tom alarmista no discurso utilizado em alguns textos produzidos pela Folha de S. Paulo, o que pôde ser percebido em matérias como: Guerra do clima, Homem é inocente na morte da megafauna e Brasil carbonizado. Nessas matérias, termos como “distúrbio social”, “colapso”, “perturbação climática”, “devastação” e “destruição” foram muito utilizados, de forma que, entre os 38 textos analisados, 21 apresentavam palavras ou termos no título que continham um viés alarmista.

“De forma geral, a pesquisa vem como uma importante ferramenta para se entender as mudanças climáticas e a forma com que o assunto é tratado pela mídia, visto que está cada vez mais em voga. Então, é essencial que essa temática seja mais evidenciada, pois os meios de comunicação são um elo entre o leitor e a realidade”, conclui André Palmeira.

Ed.151 - Outubro e Novembro de 2019

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