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Clube de Ciência comemora 40 anos

Publicado: Quinta, 05 de Dezembro de 2019, 19h40 | Última atualização em Quinta, 05 de Dezembro de 2019, 20h26 | Acessos: 815

Um laboratório para formar professores e despertar cientistas

Projeto oferece experiência docente para alunos das licenciaturas. Para crianças e adolescentes, é a chance de aprender ciência de forma divertida e interativa.
imagem sem descrição.

Por Aila Beatriz Inete Foto Alexandre de Moraes

Em 1979, ano em que o Brasil ainda estava sob o comando dos militares e as universidades perdiam seu caráter de espaço livre para ideias e opiniões, a professora Terezinha Valim criou o Clube de Ciências da Universidade Federal do Pará, com a ajuda de seus alunos, estudantes dos cursos das Licenciaturas em Ciências Naturais (Física, Química, Biologia e Matemática). O projeto de pesquisa, ensino e extensão que funciona no Instituto de Educação Matemática e Cientifica (IEMCI) há 40 anos recebe estudantes de licenciaturas e do ensino básico. “A principal motivação foi disponibilizar aos alunos das licenciaturas das áreas de Ciências e Matemáticas um espaço para a prática docente, antes de chegarem ao estágio supervisionado”, explica a professora Terezinha Valim.

O Clube de Ciências é um laboratório didático-pedagógico de educação científica em que estudantes dos cursos de licenciaturas podem ser estagiários e ter a prática antecipada da docência, e crianças e adolescentes do ensino fundamental e médio (os sócios mirins) podem aprender ciência de maneira divertida e interativa. “O estagiário do clube é estimulado a fazer pesquisa e colocar os sócios mirins diante de uma questão: crianças e adolescentes são estimulados a estudar e a mostrar o resultado daquilo que eles aprendem”, explica o atual coordenador do projeto, Jônatas Barros.

O clube foi criado em um momento em que a Universidade não recebia tantos recursos. “Atravessamos muitos percalços. O reitor (da época) não admitia crianças no campus universitário. Passamos algumas semanas reunindo os alunos universitários e os estudantes da educação básica embaixo das palheteiras, na beira do rio, dentro do campus”, lembra Terezinha Valim. Na época, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Belém, o Clube de Ciências passou a funcionar na Escola Pe. Leandro Pinheiro, nas manhãs de sábado. Hoje, o clube continua como um espaço para divulgar e incentivar a busca pelo conhecimento.

O foco é nas licenciaturas, mas outros cursos são bem-vindos

Segundo o coordenador, Jônatas Barros, o projeto recebe estudantes de várias disciplinas das Ciências Humanas, Exatas e Naturais, nem sempre o estagiário é de licenciatura. “A principal metodologia é o ‘Ensino de Ciências por Pesquisa’, termo utilizado pela professora Terezinha Valim ou, ainda, ‘Ensino de Ciências por Investigação’, termo usado e difundido no âmbito do Laboratório de Pesquisa em Ensino de Física, da USP”, explica.

Além de ser um ambiente de formação docente, o objetivo é fazer uma iniciação científica infantojuvenil. Segundo o coordenador, as crianças são estimuladas a resolver um problema, respondido por meio de uma investigação orientada pelos professores. “É obrigatória a fundamentação científica da resposta. Nós levamos as crianças a testar hipóteses, o que é próprio da metodologia de pesquisas cientificas”, explica o coordenador.

Mayara Teixeira, aluna do 7º semestre de Licenciatura em Matemática, conheceu o clube por intermédio de uma amiga que já havia participado do projeto. “Desde o início da graduação, participo do clube como voluntária e agora sou bolsista. Melhorei a minha didática e o planejamento de aula. Também aprendi a trabalhar em grupo e a ter a visão do aluno sobre o aprendizado”, conta Mayara Teixeira.

Para a estudante, a sua atuação no clube é uma prévia do que ela encontrará no mercado de trabalho. “Nesses quatro anos, já trabalhei conteúdos de Física e Química, pois não ficamos restritos a nossa área. Eu posso dizer que o clube forma um professor mais completo”, avalia Mayara Teixeira.

O Clube de Ciências cresceu bastante ao longo dos seus 40 anos e hoje existem alguns projetos que funcionam concomitantes, como o Anime Ciência, que visa estimular a produção de animações e vídeos curtos sobre conteúdos científicos produzidos no clube. Esse conteúdo pode ser utilizado por professores da educação básica em suas atividades de sala de aula, por meio de um canal gratuito no youtube. Outro projeto é o Laboratório de Ensino de Matemática, que leva oficinas para professores de Matemática da rede pública de ensino.

Ciência na Ilha leva ações para além do Campus Belém

O Clube de Ciências conta, ainda, com um projeto de culminância, que reúne os trabalhos desenvolvidos no clube e em outros ambientes. O Ciência na Ilha acontece desde 2009 nas ilhas do Pará, como Cotijuba, Mosqueiro, Combu e Ponta de Pedras. “É um evento de popularização e divulgação científica, não apenas de uma ciência demonstrativa, mas também de trabalhos que foram produzidos. Muito do que está sendo realizado aqui, nós queremos que repercuta na sociedade”, afirma o coordenador, Jônatas Barros.

Atualmente, o projeto conta com 40 estagiários e recebe cerca de 250 alunos da educação básica por ano. “Sábado poderia ser um dia dedicado ao lazer, mas os alunos vêm para o clube, se sentem motivados a investigar e a participar das atividades com os professores. O Clube de Ciências tem o papel de levar uma criança a desenvolver a autonomia, mediante metodologias e atividades investigativas, além de proporcionar o contato com conhecimentos científicos que nas escolas são limitados”, avalia Jônatas Barros.

A idealizadora do projeto, Terezinha Valim, define o Clube de Ciências como um “laboratório pedagógico de Educação em Ciências e Matemática”, tanto em termos de formação de professores quanto na iniciação científica de estudantes da educação básica.

Atualmente, a professora está orientando diversos trabalhos de pós-graduação que investigam os 40 anos do Clube de Ciências sob vários ângulos. “É um projeto que inclui examinar a documentação desses anos de trabalho da iniciação científica infantojuvenil e de formação de professores aos aspectos históricos, metodológicos e epistemológicos”, revela. A professora reconhece a contribuição de todos os que fizeram e fazem parte do projeto. “Tenho orgulho de ser IEMCI/UFPA e sou grata a todos os que ajudaram e ajudam a construir esse espaço de formação e educação em Ciências”, finaliza Terezinha Valim.

Um sócio do outro lado do rio

Deivison Gustavo Santos tem 13 anos, está no 6° ano do ensino fundamental e é sócio mirim no Clube de Ciências. Morador do município do Acará, aos sábados, ele acorda às 6h30, pega um barco junto com o pai, Zeniel Sandro do Rosário, e, enquanto o pai vende açaí na feira, Deivison vem para o Clube de Ciências da UFPA. Ele diz que desenvolve várias atividades, como experiências e games. “Eu acho o clube muito bom. Nós aprendemos várias coisas aqui”. 

Quem pode participar do Clube de Ciências? 

Estudantes de todos os cursos podem ser voluntários/estagiários. No primeiro semestre letivo da UFPA, são abertas inscrições com 60 vagas para os graduandos e 250 vagas para os alunos do ensino básico. Alunos de escola privada também podem ser sócios mirins do clube. Contatos: (91) 3201-7642/ (91) 98078-8257 E-mail: cciufpainterno@gmail.com

Ed.152 - Dezembro e Janeiro de 2019 / 2020

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