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Resenha

Publicado: Quinta, 16 de Agosto de 2018, 13h48 | Última atualização em Quinta, 16 de Agosto de 2018, 14h36 | Acessos: 2153

Novas leituras do lazer

Por Walter Pinto Foto Reprodução

Geralmente relacionado ao descanso, às férias, ao espetáculo e à diversão, o lazer é, como define a pesquisadora Christianne Gomes no artigo “Estudo do lazer e geopolítica do conhecimento”, publicado na Revista Alicerce, uma necessidade humana e uma dimensão da cultura caracterizada pela vivência lúdica de manifestações culturais no tempo e no espaço sociais. Com base nesse entendimento, Manuel Cuenca Cabeza, catedrático emérito da Universidade de Bilbao, Espanha, conclui que o lazer não é uma prática secundária ou de segunda categoria, mas algo muito mais importante para o desenvolvimento humano.

Manuel Cabeza é um dos autores dos oito artigos que compõem o livro Novas leituras do lazer contemporâneo, publicado pela editora do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA), que tem por objetivo sistematizar as contribuições de pesquisadores nacionais e internacionais participantes do II Congresso Brasileiro de Estudos do Lazer, realizado em Belém, em 2016. No artigo Ocio humanista, un compromiso con el desarrollo personal y comunitario, Cabeza debate as concepções de ócio e suas relações com o desenvolvimento humano, destacando a necessidade de democratizá-lo por toda a sociedade.

Organizado por Mirleide Chaar Bahia, professora adjunta do NAEA e líder do Grupo de Pesquisas em Lazer, Ambiente e Sociedade, o livro foi lançado na Feira Pan-Amazônica do Livro, realizada em junho passado. No artigo de abertura, os pesquisadores Christianne Gomes e Hélder Isayama, ambos da Universidade Federal de Minas Gerais, reconstroem a criação do Seminário O lazer em debate e a transformação dele em Congresso Brasileiro de Estudos do Lazer. Trata-se de um estudo de caráter historiográfico, que remonta às etapas daquele processo, com ênfase nas publicações dele resultante.

Outro artigo de caráter historiográfico, assinado por Victor Andrade de Melo, da UFMG, e por Ricardo Ricci Uvinha, da Universidade de São Paulo (USP), aborda a trajetória da Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-Graduação em Estudos do Lazer, criada em 2013.

Em Práticas socais de lazer nas cidades amazônicas: pesquisas como requisito para políticas públicas, Rosa Acevedo Marin, pesquisadora do NAEA e do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFPA, discute as mudanças espaciais e as interferências e alterações das práticas de lazer na realidade social urbana da Amazônia, relacionadas aos processos de expansão das cidades. A autora observa que fundamental é rever, de forma crítica, a máquina da indústria do lazer e os mecanismos de mudança que desencadeia. A compreensão dos problemas que afligem os agentes sociais e a coletividade, sem direito a usufruir do lazer, passa, afirma, pelo desenvolvimento de estudos sobre o setor.

Para Sílvia Cristina Franco Amaral, livre-docente pela Faculdade de Educação Física da Unicamp, o tema “políticas públicas, lazer e sustentabilidade” é desafiante e deflagrador de mudança. Seu artigo divide-se em três partes. Trata de conceitos, explora aspectos do Estatuto da Cidade e toma a cidade de Campinas para discutir avanços e limites da relação existente entre políticas públicas e sustentabilidade. Uma das constatações de Sílvia Amaral é a de que um dos grandes problemas das cidades brasileiras é, justamente, a enorme desigualdade existente entre a “cidade visível e a cidade periférica, invisível e ilegal”.

O tema políticas públicas na área do lazer é também abordado pelos pesquisadores Simone Rechia, Felipe Gonçalves e Rodrigo França no artigo Cidade, lazer, políticas públicas e sustentabilidade: desafios e perspectivas. Os autores são da área de Educação Física e professores da Universidade Federal do Paraná.

Para a análise do tempo livre e do lazer na sociedade contemporânea, a socióloga Édna Castro, pesquisadora do NAEA, fez um estudo sobre o lugar do trabalho na sociedade, destacando a natureza das relações de trabalho, bem como as instituições criadas como espaços de regulação dos direitos trabalhistas e as soluções dos conflitos produzidos no âmbito das relações capitalistas. Segundo Édna Castro, a luta pela redução da jornada de trabalho mobilizou a classe operária em todo o mundo. Desde a primeira metade do século XX, existem pautas de discussões dos movimentos sociais, como reivindicações dos sindicatos, especialmente o dos operários.

Por fim, Sílvio Figueiredo, pesquisador do NAEA, no artigo O campo do lazer, festa e política nos espaços públicos urbanos, diz que “o estudo das festas e dos lazeres não poderia prescindir de temas da política, da pólis, da relação humana, dos assuntos políticos, da coletividade e da relação entre seres humanos”. Por isso a política, entendida como ciência que dá conta de uma série de práticas sociais e organizativas, é a “porta de entrada e de saída” da sua análise.

Serviço:

Novas leituras do lazer contemporâneo. Organizadora: Mirleide Chaar Bahia. Editora NAEA. 162 páginas.

Ed.144 - Agosto e Setembro de 2018

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