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Opinião

Publicado: Terça, 06 de Janeiro de 2026, 17h44 | Última atualização em Sexta, 09 de Janeiro de 2026, 20h24 | Acessos: 45

Por uma pedagogia da permanência estudantil na UFPA

Por Ronaldo Marcos de Lima Araujo 

A permanência estudantil nas universidades públicas brasileiras constitui-se como um grande desafio contemporâneo no ensino superior em função da mudança de perfil dos seus estudantes. No contexto da Universidade Federal do Pará (UFPA), situada na Amazônia paraense, a permanência ultrapassa o aspecto econômico e envolve dimensões pedagógicas que se entrelaçam com os perfis sociais dos estudantes.

A concepção de uma pedagogia como alicerce para a permanência estudantil pressupõe compreender o ensino e a aprendizagem comprometidos com o direito de permanecer com qualidade acadêmica e de vida, estratégia fundamental para um projeto político-pedagógico universitário que compreenda que o direito à educação superior se materializa com a conclusão do curso e não com o ingresso na universidade.  Essa perspectiva propõe uma pedagogia que reconheça a diversidade dos sujeitos amazônidas e atue para garantir equidade no processo formativo.

Uma universidade multicampi, a UFPA carrega territórios ribeirinhos, urbanos e rurais, onde as condições de acesso e permanência são profundamente diferentes e desiguais. A pluralidade étnica, linguística, cultural e territorial impõe à instituição o desafio de construir uma Pedagogia da Permanência Estudantil que tenha a diversidade como fundamento do processo formativo. 

Neste sentido, uma Pedagogia da Permanência Estudantil deve considerar as desigualdades socioeconômicas; as diversidades culturais, linguísticas, de gênero e corporais; a relação com os saberes dos territórios regionais; as longas distâncias geográficas e as condições de transporte e conectividade. Todos esses fatores exigem da UFPA uma articulação constante entre políticas pedagógicas e políticas de assistência estudantil.

Mas o que seria a Pedagogia da Permanência Estudantil? A Pedagogia da Permanência Estudantil requer um conjunto de princípios e práticas pedagógicas orientadas para assegurar que todos os estudantes, especialmente aqueles vulnerabilizados em função de sua condição social, econômica, territorial, étnico-racial, de gênero, etária e de sua deficiência, tenham o direito a uma ambiência acadêmica que reconheça as suas condições materiais, seus saberes e seus pertencimentos.

Esta concepção parte da compreensão de que as desigualdades sociais estão inseridas nas trajetórias acadêmicas e, por isso, o processo de ensino-aprendizagem deve ser sensível a essas circunstâncias, buscando mitigá-las. Trata-se de uma pedagogia emancipatória e contextualizada, que conceba o estudante como sujeito de saberes pertencentes aos seus territórios amazônidas e que se comprometa a não acrescentar dificuldades para além daquelas já existentes, naturais dos processos de aprender em uma instituição universitária.

A permanência estudantil deve ser compreendida também como desafio pedagógico, não restrito à concessão de auxílios financeiros e de prestação de serviços. Esta pedagogia propõe um diálogo orgânico entre ensino-aprendizagem e a política de assistência estudantil, com fins de fazer dos territórios universitários ambientes de acolhimento e integração, construída em três eixos complementares: Eixo Formativo: capaz de desenvolver currículos sensíveis à diversidade sociocultural e territorial, com metodologias e avaliações participativas e incentivo à formação docente continuada voltada a uma didática emancipatória e à educação inclusiva; Eixo Social: pressupõe que o reconhecimento da vulnerabilidade social afeta o desempenho acadêmico e a saúde mental e que, portanto, requer ações de enfrentamento para minimizar. Integra a dimensão pedagógica com as políticas de auxílio permanência, moradia, alimentação, transporte, inclusão digital, acessibilidade e saúde estudantil; e Eixo Territorial: visa fortalecer o vínculo da UFPA com as comunidades locais, com o reconhecimento e a valorização de seus saberes, tendo-os como pontos de enlace da articulação entre Ensino, Pesquisa, Extensão e Assistência Estudantil.

Assim, uma Pedagogia da Permanência Estudantil na UFPA deve ser entendida como instrumento político-pedagógico de democratização do ensino público. Ela deve propor um olhar atento às desigualdades e à pluralidade de trajetórias dos estudantes amazônidas, buscando não apenas mantê-los na universidade, mas também contribuir para a sua formação humana emancipatória. Ao reconhecer que o ato de permanecer é também um ato de resistência, a Universidade Federal do Pará afirma-se como uma universidade amazônida, pública e inclusiva.

Ronaldo Marcos de Lima Araujo – Pró-Reitor de Assistência e Acessibilidade Estudantil da UFPA. Coordenador-Geral do Fórum Nacional de Pró-Reitores de Assuntos Comunitários e Estudantis (Fonaprace/Andifes). E-mail rlima@ufpa.br

Edição: Edmê Gomes Paixão |Fotografia: Alexandre de Moraes

Beira do Rio edição 176 - Setembro a Dezembro 

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