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Cissus verticillata contra diabetes mellitus

Publicado: Terça, 25 de Maio de 2021, 23h36 | Última atualização em Terça, 25 de Maio de 2021, 23h36 | Acessos: 5613

Estudo analisa usos da “Insulina” em comunidade do nordeste paraense

imagem sem descrição.

Por Adrielly Araújo Foto Acervo da Pesquisa

O Brasil é um dos países com maior diversidade biológica do planeta. Somente de plantas, já foram classificadas mais de 56 mil espécies aqui existentes. A sua grande diversidade biológica abrange diversos ecossistemas, entre eles, está a Amazônia brasileira, transbordando de diversidade, tanto biológica quanto cultural.

Essa é uma das informações destacadas na dissertação Fitoterapia tradicional por meio do uso da planta “Insulina” (Cissus verticillata), no tratamento do diabetes mellitus, em uma comunidade costeira do nordeste do Pará (Amazônia, Brasil), realizada pelo pesquisador Jones Souza Moraes e apresentada no Programa de Pós-Graduação em Estudos Antrópicos na Amazônia, Campus Castanhal/UFPA, orientada pelo professor Euzébio de Oliveira e coorientada pela professora Iracely Rodrigues da Silva.

Entre os componentes ecossistêmicos que fazem parte da região amazônica, estão as plantas medicinais, administradas principalmente pelas populações tradicionais, com variadas formas de administração (tratar, curar e prevenir doenças na comunidade).

A Bacia do Rio Caeté, localizada na mesorregião nordeste paraense, apresenta grande número de espécies vegetais utilizadas pelos moradores das comunidades ribeirinhas para tratamento de doenças, entretanto muitas dessas plantas ainda não foram identificadas e registradas nem tiveram catalogadas as suas especificidades medicinais.

Nesse sentido, o objetivo da pesquisa foi analisar os usos terapêuticos da etnoespécie da planta Cissus verticillata, conhecida popularmente como “Insulina”, no tratamento do Diabetes Mellitus, na comunidade ribeirinha/costeira de Ponta de Urumajó, nordeste do Pará.

O trabalho possuiu abordagem metodológica qualitativa, realizada por meio da pesquisa de campo, utilizando como instrumentos de coleta de dados a aplicação do “free listing” (entrevistas com informantes-chaves), aplicação de formulários, coleta de amostras vegetais, identificação botânica, observação, gravações de áudio/vídeo e fotografias.

Formulário fitoterápico revela saberes tradicionais

Durante o estudo, foi desenvolvido e aplicado um “formulário fitoterápico” com perguntas específicas sobre a etnoespécie da planta Cissus verticillata, buscando analisar seus usos. Foram feitas perguntas, como o nome vernacular da planta, a doença que combate, a parte usada como remédio, o estado de uso, o método de preparação (quantidade de planta e de água necessária), a dosagem, o tempo de validade do remédio depois de preparado, a via de administração, o tempo de tratamento, as contraindicações e as reações adversas.

A partir disso, a pesquisa demonstrou o arcabouço de saberes da comunidade de Ponta Urumaió quando registrou o modo de uso local da planta Cissus verticillata. A “Insulina” é empregada com critérios baseados nas experiências empíricas do grupo social, com o chá das folhas in natura, por via oral. Os moradores aconselham a ingestão do chá duas vezes por dia (pela manhã e antes do almoço), até desaparecerem os sintomas. De acordo com a comunidade, não há contraindicação.

A “Insulina” tem sido usada amplamente, sem que os moradores saibam se a planta apresenta algum efeito tóxico ou reações adversas. Durante o estudo, foram encontradas quatro pesquisas que analisaram o nível de toxicidade da planta. 

Os estudos fitoquímicos realizados mostraram ausência de toxicidade no teste de dose letal mediana na ingestão de até 10g da Cissus verticillata. Entretanto existe uma concentração letal média na ingestão maior que 10g da planta que precisa ser considerada pelos usuários.

“Nesta pesquisa, não tivemos a oportunidade de realizar os testes para o nível de toxicidade, então nossa saída foi recorrer aos trabalhos que já tinham realizado algum experimento com a Cissus verticillata. Assim, são necessários estudos na área de fitoquímica para melhor definir o uso adequado da planta, assegurando sua eficácia e os riscos”, avalia o pesquisador. 

Os resultados mostraram o potencial da planta estudada como indicativo para futuros estudos e a possível eficácia no tratamento da Diabetes, que se sucedeu na sugestão de entrada da espécie na Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS, que conta, até o momento da pesquisa, com apenas 71 espécies catalogadas.

Outros resultados gerados dizem respeito à valorização e ao fortalecimento do conhecimento das populações tradicionais, que poderão subsidiar o desenvolvimento da atenção à saúde coletiva das populações, assim como o apoio na geração de políticas de meio ambiente e manutenção da biodiversidade, voltadas para a gestão sustentável, buscando melhorar a qualidade de vida das comunidades.  

De acordo com Jones Moraes, o trabalho apresenta uma contribuição significativa para o campo da saúde pública ao gerar conhecimento sobre a preservação das plantas medicinais. Muitas vezes, essa é a única fonte de tratamento para várias doenças em locais aonde o sistema de saúde não chega.

Usos da Insulina (Cissus vercillata) na Comunidade da Ponta do Urumajó (PA)

Indicadores

Critérios

Parte da planta usada

Folhas

Método de preparação

Decocção (em forma de chá)

Estado de uso

Verde

Administração

Via oral

Quantidade de água

½ litro

Quantidade de folhas

8.01g

Dosagem

½ copo 2 vezes ao dia (manhã e antes do almoço)

Tempo de tratamento

Até desaparecer os sintomas

Tempo de conservação

2 dias

Contraindicação

Nenhuma

 

Fonte: Moraes, 2020.

 Beira do Rio edição 158

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