Ir direto para menu de acessibilidade.

GTranslate

Portuguese English Spanish

Opções de acessibilidade

Início do conteúdo da página

Paixão X Tempo

Publicado: Sexta, 07 de Julho de 2023, 15h16 | Última atualização em Quarta, 20 de Setembro de 2023, 16h40 | Acessos: 695

intensidade da paixão diminui com o passar dos anos

#ParaTodosVerem: Fotografia em preto e branco mostra duas mãos dadas. O enquadramento destaca ainda os dois antebraços, o da direita carrega um relógio na altura do pulso.
#ParaTodosVerem: Fotografia em preto e branco mostra duas mãos dadas. O enquadramento destaca ainda os dois antebraços, o da direita carrega um relógio na altura do pulso.

Por Edmê Gomes Foto Min An (Pexels)

A ciência já comprovou. Para frustração dos mais românticos, a paixão tem, sim, data de validade.  O pico da emoção costuma girar em torno dos seis meses. Período de intensa atividade cérebro-hormonal em que sinais como aumento da pressão arterial, respiração ofegante, batimentos cardíacos acelerados, mãos suadas e até perda de apetite tornam-se frequentes.

 “A literatura aponta que a formação de casais foi um comportamento não só benéfico, como também extremamente essencial durante a história evolutiva da nossa espécie. Mas, diferente do que poderíamos pensar, muitos autores vão falar que talvez a gente não seja uma espécie exclusivamente monogâmica, mas sim monogâmica serial, ou seja, formamos casais em determinado período de tempo e, posteriormente,  esse vínculo pode vir a se dissolver e a gente parte em busca de novos”, alerta Nelson Corrêa Medrado, autor da dissertação Intensidade da paixão e do vínculo de pessoas nos primeiros anos de relacionamento amoroso, defendida em 2021, pelo Programa de Neurociências e Comportamento da Universidade Federal do Pará.  

Com orientação da professora Helen Vivianni Veloso Corrêa e coorientação do professor Fernando Allan de Farias Rocha, Medrado, que é licenciado em Ciências Biológicas, buscou avaliar os níveis de vinculação emocional e da intensidade da paixão de adultos nos primeiros anos do relacionamento amoroso. A ideia foi identificar como a paixão e o vínculo afetivo de um casal é impactado pelo tempo.

Nível da paixão é inversamente proporcional ao tempo de relacionamento

A pesquisa ouviu 246 indivíduos comprometidos, 159 mulheres e 85 homens, todos com mais de 18 anos e divididos em dois grupos: O primeiro formado por aqueles com até seis meses de envolvimento (classificados na pesquisa como em relacionamento recente) e outro com aqueles com 12 a 36 meses de relação (relacionamento longo).

Os participantes responderam a quatro instrumentos de pesquisa. Questionário socioeconômico; Questionário de Relacionamentos, composto por 10 perguntas com o objetivo de acessar informações gerais sobre o relacionamento amoroso; uma ferramenta chamada Escala do Amor do Marriage and Relationships Questionnaire (MARQ), que mensura o nível de vínculo emocional na relação; e, por fim, a chamada Escala do Amor Apaixonado (EAA), metodologia que avalia a intensidade da paixão.

“Busquei casais heterossexuais e homossexuais que estivessem no início e comparei com casais com mais tempo de relacionamento para investigar a paixão e o vínculo como esses casais se sentem próximos e confiam um no outro”, explica Nelson.

O resultado apontou diferenças significativas na vinculação afetiva entre os dois grupos, com o grupo formado por casais em relacionamento recente obtendo maiores valores do que o grupo composto por indivíduos de relacionamento longo. Apesar de não existirem diferenças na intensidade da paixão dos dois grupos, medida pelo escore geral da EAA, quatorze itens do questionário apresentaram diferenças significativas entre os tempos do relacionamento.

A pesquisa encontrou uma correlação negativa entre a vinculação afetiva e o tempo do relacionamento amoroso. “Os resultados encontrados sinalizam que a paixão e a vinculação afetiva são variáveis dinâmicas, dependentes do tempo do relacionamento, as quais, ao longo dos primeiros anos da relação amorosa, podem apresentar uma gradativa diminuição”, afirma.

Os românticos de plantão, entretanto, não devem perder a esperança. O pesquisador lembra que a relação negativa entre o tempo e a paixão não implica, necessariamente, o fim dos romances duradouros.  

“A paixão não vai durar, mas isso não vai ser abrupto, a mudança é gradual. Entender como os relacionamentos se modificam com o tempo e que essa fase intensa da paixão é um período transitório e que pode dar lugar a outros aspectos do relacionamento é muito fundamental para que os casais se entendam e naturalizem certas mudanças dentro do relacionamento. As pessoas vão mudar e os relacionamentos também não se manterão constantes”, aponta o pesquisador.   

 Beira do Rio ed.167

 

 

Fim do conteúdo da página