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Qual o seu legado para a UFPA?

Publicado: Terça, 20 de Junho de 2017, 14h35 | Última atualização em Segunda, 26 de Junho de 2017, 16h38 | Acessos: 2044

Ex-reitores relembram suas trajetórias na UFPA

Por Rosyane Rodrigues Foto Alexandre Moraes

A partir dessa pergunta, os ex-reitores da UFPA do período de 1985 a 2016, José de Seixas Lourenço, Nilson Pinto de Oliveira, Marcos Ximenes Pontes, Cristovam Wanderley Picanço Diniz, Alex Bolonha Fiúza de Mello e Carlos Edilson de Almeida Maneschy, relembraram as suas  trajetórias dentro da Universidade e registraram o que acreditam ter sido as maiores contribuições de seus reitorados. 

Desde a sua criação em 1957, pela Universidade Federal do Pará já passaram 12 reitores. Além dos seis citados acima, também comandaram a UFPA: Mário Braga Henriques (1957-1960), José Rodrigues da Silveira Netto (1960-1969), Aloysio da Costa Chaves (1969-1973), Clóvis Cunha da Gama Malcher (1973-1977), Aracy Amazonas Barreto (1977-1981) e Daniel Queima Coelho de Souza (1981-1985).

Orgulho e honra por terem as suas trajetórias atreladas à história da UFPA são os pontos em comum entre os depoimentos de Seixas, Nilson, Ximenes, Cristovam, Alex e Maneschy. Cada um esteve à frente da Universidade em diferentes momentos da história do Brasil, viveram conjunturas políticas e econômicas particulares. Nesta edição, eles dizem como enfrentaram os desafios impostos pelo seu tempo.

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Em julho de 1985, comecei o meu mandato como reitor da UFPA, cujas raízes, pela primeira vez na história de nossa Universidade, brotaram da manifestação da comunidade acadêmica, com a inauguração de uma fase em que o processo de democratização iria consolidar-se, ganhando espaços e estimulando a vocação participativa de quantos integram a Universidade. A rota foi marcada, sobretudo, por dois impulsos que simbolizam e resumem a caminhada da Instituição.

O primeiro impulso foi o Projeto de Interiorização promovendo o alargamento do espaço acadêmico em direção às comunidades interioranas. Esse foi meu legado mais importante para a UFPA, pois nossos campi se tornaram os principais polos de crescimento da Universidade. O segundo impulso foi o da convocação dos países amazônicos para compor uma aliança fecunda, nunca antes intentada, para o exercício de uma responsabilidade solidária em defesa da Pan-Amazônia.  Com a liderança da UFPA e o apoio da Unesco e da OEA, foi, então, criada a Associação de Universidades Amazônicas (UNAMAZ).

Registro, entre os momentos gratificantes de minha atuação como reitor, a participação consciente e amadurecida de professores, alunos e funcionários, nos assuntos de interesse de todos.  Destaco, também, o reconhecimento que tivemos das comunidades, paraense e amazônica.    
José de Seixas Lourenço (1985-1989)

Fui reitor da UFPA num período de alta efervescência política, associada à redemocratização do País, e de caos econômico, marcado pela hiperinflação e por sucessivos planos de estabilização mal- sucedidos.  Em 1989, a UFPA era uma universidade de porte médio, que lutava para sustentar bases precárias implantadas no interior e para se afirmar no contexto acadêmico nacional. Esforço coletivo e parcerias ajudaram a consolidar os campi, expandir a graduação, ampliar a qualificação docente, multiplicar os programas de mestrado e doutorado, aprofundar a prática interdisciplinar e a avançar na produção científica e artística. Em 1993, a UFPA estava em acelerado processo de crescimento quantitativo e qualitativo.

Na Reitoria, aprendi que a universidade tem sentido e futuro quando é plural, aposta no mérito, cultiva sua capacidade crítica e recusa o atrelamento a governos e ideologias e a submissão a pactos de mediocridade.
Nilson Pinto de Oliveira (1989-1993)

Participei intensamente da vida da UFPA, onde encontrei um espaço acolhedor para exercer atividades acadêmicas em todos os níveis do ensino e contribuir administrativamente para sua consolidação. Isso ocorreu de 1969, quando ingressei como aluno, até a aposentadoria, em 2009. Ainda como aluno, fui monitor de Fisica e professor secundarista no NPI. Quando concluí a graduação em 1973, fui para o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), no qual concluí o mestrado e o doutorado em Engenharia. Em 1977, mediante concurso, ingressei na carreira docente no Curso de Engenharia Mecânica. Tive uma vida acadêmica intensa, atuando na graduação e na pós-graduação, coordenando pesquisas e orientando alunos.

Também exerci atividades administrativas. Fui diretor executivo da Fadesp, pró-reitor de Administração e reitor, numa época em que a Universidade foi intensa na formação dos seus quadros, na consolidação de grupos de pesquisa e de seus compromissos com a sociedade. Conheci diversas universidades e não tenho receio em afirmar que a UFPA é a universidade brasileira que mais ousou em atender às demandas da sociedade. Tenho muita honra em ter dedicado a minha vida profissional à Universidade Federal do Pará.  
Marcos Ximenes Pontes (1993-1997)

Uma das dificuldades mais severas a ser contornada pelas universidades na Amazônia é a baixa densidade de grupos de docentes-pesquisadores na região. Isso impede a expansão de programas de pesquisa e pós-graduação locais e inviabiliza o financiamento da produção de conhecimento novo, um dos pilares essenciais para o desenvolvimento sustentado da região. Considero o estímulo à formação de recursos humanos por meio da capacitação docente e técnica a maior contribuição feita durante minha atuação como gestor.

Desenhamos, em parceria com a Capes, os programas interinstitucionais de mestrado e doutorado, acelerando a capacitação, implementando programas de fixação dos grupos de docentes pesquisadores por meio do Projeto Norte de Pesquisa e Pós-Graduação. Essas ações foram expandidas para os campi do interior, que passaram a ter autonomia financeira e a incluir a produção de conhecimento como parte de sua missão. Estimulamos a integração das atividades fim da Universidade e inauguramos a interiorização dos Programas de Residência Médica. Devo à UFPA de tempos difíceis a alegria indescritível de ter contribuído para a expansão do maior investimento humano da Amazônia brasileira.
Cristovam  Picanço Diniz (1997-2001)

A Reitoria da UFPA me proporcionou, sobretudo, uma maior compreensão do universo acadêmico, suas virtudes e limitações; a percepção de que o corporativismo, hoje, é a maior ameaça à renovação da instituição; a oportunidade de frequentar (inclusive como protagonista) instâncias do Estado brasileiro e observar como o jogo de interesses ali se materializa; o aprofundamento da minha visão do Pará (graças à interiorização) e a certeza da relevância do papel de nossa universidade para o desenvolvimento do Estado.

Quanto ao “meu” legado à Instituição, prefiro usar a primeira pessoa do plural (já que uma gestão é, sempre, um trabalho coletivo). Destaco os principais desafios vencidos: a reforma do Estatuto e do Regimento Geral; a ampliação e consolidação dos programas de pós-graduação (que triplicaram); a concepção, o planejamento e a operacionalização do conceito de “Universidade Multicampi” (que deu substrato à atuação do REUNI) e a criação da Ufopa - além do encaminhamento, ao MEC, do projeto da Unifesspa (que se efetivou em seguida).
Alex Bolonha Fiúza de Mello (2001-2009)

Assumir a Reitoria da UFPA constituiu-se em uma experiência que trouxe honra e orgulho sem par em minha trajetória de vida. Exercer essa função de tamanha grandeza, com seus desafios e complexidade inerentes, permitiu-me acumular informações, conhecimento e vivência prática em um leque abrangente de temas que vão da gestão pública à política e, mais do que tudo, reafirmou em mim o valor da tolerância como elemento fundamental das relações humanas.

No período à frente da Reitoria, nossa equipe promoveu diversos avanços. Destaco entre eles o processo significativo de inclusão social, refletido na ampliação da oferta de vagas e de cursos pelo interior, aumento de matrículas de alunos de baixa renda e ingresso diferenciado a pessoas com deficiência. A reconhecida expansão da qualidade das atividades de pesquisa e pós-graduação, o investimento na qualificação de servidores e a grande melhoria na infraestrutura física também compõem o legado que permitiu à UFPA ascender a posições de destaque nas mais diferentes avaliações institucionais.
Carlos de Almeida Maneschy (2009-2016)

Ed.137 - Junho e Julho de 2017

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