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Em 14 anos, 17 mil mortes no trânsito

Publicado: Segunda, 27 de Maio de 2019, 14h40 | Última atualização em Sexta, 28 de Junho de 2019, 16h36 | Acessos: 1527

No Pará, as principais vítimas são pedestres

Por Nicole França Foto Alexandre de Moraes

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), foram contabilizadas cerca de 1,3 milhão de mortes por acidente de trânsito em 178 países no ano de 2009. Com base nesse estudo, a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou a Década de Ação pela Segurança no Trânsito 2011-2020, na qual os países membros da organização assumiram o compromisso de estabilizar e diminuir o número de acidentes de trânsito. A ação desenvolvida pela ONU tem como meta reduzir pela metade o número de mortes no trânsito previstas de ocorrerem no período.

Com o intuito de verificar se o Estado do Pará conseguiria alcançar a meta estipulada pela ONU, Adriano Roberto de Souza Ferreira desenvolveu a dissertação Ninguém nasce para morrer no trânsito: modelo de séries temporais para previsão da mortalidade por acidente de trânsito no Estado do Pará. A pesquisa, apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Segurança Pública (PPGSP/IFCH) e orientada pelo professor Edson Marcos Leal Soares Ramos, buscou propor um modelo de séries temporais para a previsão da quantidade de mortes por acidente de trânsito no Estado do Pará.

“O interesse pelo tema foi impulsionado, primeiramente, pelo meu ambiente profissional. Eu sou policial rodoviário federal e vejo de perto o drama que é o trânsito e percebo que ele está sendo deixado de lado pelos governos, ao longo do tempo. A morte no trânsito já não surpreende ou espanta a sociedade. Essas mortes são vistas com um olhar banalizado. Não há uma comoção social em busca de políticas públicas que combatam essa mortalidade”, afirma Adriano Ferreira.

Para o desenvolvimento da pesquisa, foram levantados dados referentes ao número de mortes por acidente de trânsito ocorridas no Pará, no período de 2001 a 2015. Com os dados obtidos no Sistema de Informação de Mortalidade do Ministério da Saúde, Adriano Ferreira produziu um estudo quantitativo baseado na utilização de técnicas estatísticas de séries temporais, de análise descritiva e de controle estatístico da qualidade.

“A partir desses dados, foi possível obter alguns gráficos que geraram análises mais consistentes sobre o quadro de mortes no Pará. Com base nesse quadro, observamos que aqui morrem muitas pessoas por acidentes de trânsito, sejam pedestres, condutores, ciclistas ou motociclistas. Com esses dados também foi possível avaliar, utilizando as séries temporais, qual a previsão de mortes no trânsito e se o Estado conseguirá ou não bater a meta da Década de ação pela segurança no trânsito”, explica o pesquisador.

A irresponsabilidade e a imprudência causam acidentes

A pesquisa pôde identificar o sexo, a faixa etária e a modalidade de transporte utilizada pelas vítimas de acidente fatal de trânsito. Dessa forma, no Estado do Pará, no período analisado, foram registradas 17.398 mortes por acidente de trânsito, sendo a maioria do sexo masculino (83,08%). A faixa etária mais vitimada foi a de 20 a 29 anos (27,61%) e as principais vítimas foram os pedestres (49,46%).

Para o pesquisador, as principais causas de acidentes no trânsito estão relacionadas à imprudência. “O condutor, o ciclista, o motociclista e o pedestre paraense ainda são muito irresponsáveis e imprudentes. De forma geral, as regras de trânsito não são seguidas. Não existe uma educação no trânsito nem o entendimento de que o trânsito é uma zona de conflito social, no qual diversos interesses estão ali se correlacionando. O condutor não consegue criar vínculos sociais que permitam sentir, por exemplo, empatia e entender que ali estão várias pessoas querendo se deslocar”, avalia Adriano Ferreira.

Com a técnica de séries temporais, método estatístico que busca normalizar dados dentro de um período de tempo, o pesquisador levantou dados da década anterior, ou seja, do ano 2001 até o ano de 2010, para, assim, apontar os dados para a década seguinte. “Por meio da análise da década anterior, encontramos qual seria a equação para a próxima década, então concluímos que, se nada for feito, em 2020 o número de mortes no trânsito continuará crescendo. Porém, se as medidas necessárias forem tomadas, a perspectiva é que esse número diminua”, informa Adriano.

“O modelo de séries temporais proposto se mostrou satisfatório e capaz de prever a quantidade de mortes por acidente de trânsito ocorridas no Pará. No entanto, o quadro de mortalidade por acidente de trânsito é muito alto, considerando a malha viária do Estado, e, apesar de os números estarem diminuindo, essa queda ainda não é suficiente para que o Estado bata a meta determinada pela ONU. Sendo assim, é necessário e urgente aumentar a mobilização dos vários setores responsáveis pela segurança viária, principalmente em ações de fiscalização e de educação para o trânsito direcionadas aos perfis mais vitimados”, declara o pesquisador.

A própria ONU divulgou uma cartilha elencando cinco estratégias importantes para a diminuição do número de mortes no trânsito. A cartilha afirma que são primordiais ações voltadas para a fiscalização de excesso de velocidade; o uso do capacete por motociclistas; o uso do cinto de segurança, de cadeirinhas ou assentos de retenção para crianças em veículos; além do uso de bebidas alcoólicas por condutores.

“Em 2013, a ONU fez a primeira verificação sobre o que estava acontecendo e constatou que o Brasil é um dos poucos países do mundo que têm legislação rígida nos cinco itens. De acordo com o código de trânsito brasileiro, motociclista que é flagrado sem capacete perde a habilitação, a multa por excesso de velocidade e por embriaguez chega a R$3.000. O Brasil possui leis duras, e nem assim atingiu a meta. Isso mostra que falta o convencimento social e a mudança no comportamento e no entendimento do cidadão sobre o trânsito”, conclui Adriano Ferreira.

 Ed.149 - Junho e Julho de 2019

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Ninguém nasce para morrer no trânsito: modelo de séries temporais para previsão da mortalidade por acidente de trânsito no Estado do Pará

Autor: Adriano Roberto de Souza Ferreira

Orientador: Edson Marcos Leal Soares Ramos

Programa de Pós-Graduação em Segurança Pública (PPGSP/IFCH)

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