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Idosos infectados por HIV/Aids

Publicado: Quinta, 05 de Dezembro de 2019, 19h33 | Última atualização em Quinta, 05 de Dezembro de 2019, 20h24 | Acessos: 1914

Falar sobre sexo na terceira idade ainda é tabu

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Por Aila Beatriz Inete Foto Rovena Rosa/Agência Brasil

Nos últimos anos, o número de idosos com AIDS tem aumentado. De acordo com o Boletim Epidemiológico de 2018, entre as mulheres, a taxa apresentou queda em quase todas as faixas etárias, exceto na de 60 anos. Nesta foi observado o aumento de 21,2%, se comparados os anos de 2007 e 2017. Entre os homens, também se observa um aumento da taxa de detecção na mesma faixa etária. Subiu de 10,3 para 13,4 o número de casos para cada mil habitantes. Segundo alguns especialistas, esse aumento é resultado de uma crença de que a terceira idade não possui mais atividade sexual e de que os programas de conscientização não atingem esse público.

“O HIV/Aids vem, há algum tempo, aumentando entre os idosos. Inicialmente, procuramos saber o motivo, mas entendemos ser mais relevante verificar o nível de letramento, ou seja, o conhecimento desse público sobre HIV/Aids e o que eles fazem para prevenir a infecção. Sabendo o que eles conhecem, saberemos o que falta para prevenir”, conta Alexandra Pompeu Costa, que apresentou a sua dissertação Letramento em saúde acerca de HIV/Aids em idosos participantes de um grupo de convivência da Terceira Idade no Programa de Pós-Graduação de Enfermagem (PPGENF/ICS), sob orientação dos professores Liã Pinheiro Botelho e Lúcia Takase Gonçalves.

“O letramento em saúde vai além do conhecimento, pois você pode conhecer e não fazer nada. O letramento é o que você faz de posse desse conhecimento: é um multiplicador, põe em prática, busca melhorias para sua saúde? Nós também queríamos descrever o nível de letramento em saúde associado aos possíveis fatores de vulnerabilidade e descrever como as diferentes dimensões do letramento sobre o HIV/Aids em idoso se manifestam em temas de interesses e preocupação”, explica a enfermeira. O estudo foi feito com 173 idosos do grupo Zoé Gueiros, no bairro Tapanã, na Região Metropolitana de Belém.

São necessárias campanhas para esse público-alvo

O questionário se inicia com perguntas de identificação, segue com questões de alfabetização e depois aborda pontos específicos de saúde. “Percebemos que os idosos têm baixo letramento em saúde, infelizmente, e, portanto, são vulneráveis ao HIV/Aids”, revela Alexandra Pompeu Costa.

A pesquisa relaciona o baixo nível de letramento a questões como escolaridade, renda familiar e à vida sexual ativa de risco da maioria. Grande parte dos entrevistados era viúvo, separado ou solteiro.

“Verificamos que é necessário intensificar os programas de conscientização e prevenção voltados aos idosos, além de falar com esse público de forma clara. A tendência da maioria é achar que sexo na terceira idade é uma aberração, e não é! Os idosos estão se relacionando da maneira como estão acostumados, sem segurança”, afirma a pesquisadora. Segundo Alexandra Costa, muitos tabus precisam ser superados. Muitas vezes, o tema ‘sexo’ não é abordado nem nos consultórios, nem na família, e os idosos ficam sem ter com quem conversar.

Segundo a pesquisa, o envelhecimento é uma realidade que não pode ser ignorada. “Do ponto de vista científico e de políticas públicas, é relevante discutir os desafios que a longevidade humana está colocando para a sociedade”, alerta Alexandra Pompeu, reforçando a necessidade de conscientizar os idosos.

“Poderiam fazer campanhas com idosos falando sobre o assunto; ir aos grupos de terceira idade e explicar como usar o preservativo; alertar para os riscos da relação sexual sem proteção. Esses idosos são de uma geração que não teve acesso a essas informações e, nessa idade, já são bem teimosos”, afirma a pesquisadora. Segundo a enfermeira, este é um trabalho de longo prazo, “talvez, conscientizando o adulto de hoje, amanhã ele será um idoso mais responsável”, pondera.

Ed.152 - Dezembro e Janeiro de 2019 / 2020

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