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Saúde mental

Publicado: Quinta, 30 de Abril de 2020, 15h25 | Última atualização em Quinta, 30 de Abril de 2020, 15h25 | Acessos: 1042

Como lidar com a ansiedade na quarentena?

Texto e Ilustração Nathália Nunes Pojo (*), especial para o Beira do Rio

Uma forte sensação de incerteza. Esse é um dos fatores atuais que têm levado muitas pessoas pelo mundo a desencadear condições clínicas como a ansiedade. A pandemia de coronavírus disseminou o imprevisível. Estamos assistindo aos noticiários buscando respostas a inúmeros questionamentos: Quando isso vai acabar? Quando verei meus familiares? Serei contagiado pela doença?

Tantas dúvidas transformam-se em um combustível capaz de conduzir qualquer pessoa a estados de estresse e ansiedade. A Organização Mundial de Saúde (OMS), por meio de seu Departamento de Saúde Mental, propõe um guia para o enfrentamento das consequências psicológicas geradas pelo atual momento, voltado a diferentes grupos, como crianças e idosos.

Com forte impacto na vida de pessoas que apresentam condições de saúde pré-
-existentes, como os transtornos de ansiedade, a situação de confinamento apanhou a todos de maneira súbita. É preciso ficar em casa! A recomendação, desde o princípio, tem sido fundamental para o não agravamento da crise sanitária. Porém ficar sem o trabalho; ficar sem ir à universidade, à academia ou à igreja; ficar sem ver seus familiares e pessoas do seu convívio rotineiro tem sido desafiador e, muitas vezes, desesperador.

A psicóloga Jéssica Duarte, da Superintendência de Assistência Estudantil da UFPA, faz parte do serviço de acolhimento criado no mês de março, a fim de atender aos discentes da Universidade que apresentam demandas psicológicas e emocionais relacionadas à situação de confinamento. Quem procura o serviço recebe o acolhimento, via telefone, das psicólogas Patrícia do Espírito Santo e Fernanda Neta, ambas docentes da UFPA e integrantes da equipe de Psicologia da Saest.

Com base em análises das informações coletadas até o momento, referentes ao serviço, Jéssica Duarte destaca que a maior parte dos discentes que procuraram o acolhimento referiu sintomas de ansiedade em virtude do necessário confinamento. Há muitos relatos de nervosismo, agitação, medo do desconhecido, dificuldades de concentração e de realizar tarefas acadêmicas. “É muito importante estarmos nas nossas casas, mas é fundamental nos fazermos presentes, ainda que a distância e virtualmente, proporcionando essa escuta aos discentes”, ressalta Jéssica.

Além de entender que lavar as mãos com constância e ficar em casa pode nos proteger da doença, é preciso proporcionar autocuidados que colocam a saúde mental também em primeiro plano. Isolamento físico não precisa ser isolamento afetivo. A internet pode estar a nosso favor no quesito conectar-se aos outros, seja por motivos de trabalho, seja por relações familiares e de amizade, seja até mesmo por continuar/iniciar um atendimento psicológico – há muitos profissionais utilizando ferramentas on-line, inclusive de maneira gratuita.

É tempo de realizar atividades que geram prazer e que, por falta de tempo, não estavam sendo feitas, como ler um bom livro, assistir a séries e a filmes, aprender um idioma ou alguma atividade manual, buscando manter uma atitude otimista e objetiva por meio da criação de uma nova rotina, à qual também podem ser incluídos hábitos novos. Praticar atividades físicas, alimentar-se de maneira saudável e buscar  momentos relaxantes e de equilíbrio emocional ajuda a aliviar tensões.

Incertezas alimentam a ansiedade, por isso devemos nos certificar de estar seguindo as recomendações de prevenção à doença , além de lembrar que há formas de lidar com a contaminação. A imensa maioria das pessoas acometidas está se curando! E, talvez, isso não pareça real em virtude das informações propagadas focando a morte e a situação de pessoas em estado grave. Por esse motivo, incentiva-se a checagem moderada de notícias a respeito da pandemia em fontes confiáveis. A saturação temática, associada a informações falsas, gera pensamentos obsessivos e de fobia.

Embora o momento seja desafiador, é possível estabelecer uma conexão consigo mesmo, entendendo seus medos e buscando superá-los, além de se conectar com os outros lembrando que o senso de comunidade é um aliado e possibilita-nos perceber que não estamos sós. A capacidade do ser humano de se adaptar ao novo é algo inestimável.

Leia também

Recomendações da Organização Mundial de Saúde: https://news.un.org/pt/story/2020/03/1707792

Serviço de Acolhimento Psicológico Saest/UFPA: http://saest.ufpa.br/portal/index.php/component/content/article?id=2366

(*) Nathália Nunes Pojo é psicóloga, mestra em Psicologia pela UFPA. Atualmente atua na Superintendência de Assistência Estudantil. E-mail: <nathynunez@hotmail.com>

Ed.154 - Abril e Maio de 2020

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