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Infância em tela

Publicado: Terça, 25 de Outubro de 2016, 17h30 | Última atualização em Quarta, 26 de Outubro de 2016, 17h46 | Acessos: 2731

Cinema traz à tona temáticas associadas às crianças

Por Maria Luisa Moraes Foto Reprodução

Uma menina de aproximadamente 12 anos saiu da casa dos seus pais, no interior, para estudar na capital e morar com uma tia ou madrinha. No entanto ela também está cuidando das crianças menores da casa e fazendo serviços domésticos de todo tipo. Essa é uma história de exploração infantil, mas, por ser tão comum, muitas vezes passa por nós como algo normal. Discutir esse tipo de problema é trabalho de profissionais como pedagogos, professores, assistentes sociais, psicólogos, entre outros especialistas que trabalham diretamente com crianças e adolescentes.

Aqui, na UFPA, existe o Programa Infância e Adolescência (PIA), que realiza projetos com o objetivo de melhorar a educação de crianças. Um desses projetos é o “Infância em Tela”, que consiste em utilizar filmes com temáticas associadas às crianças e aos adolescentes, para que sejam usados como elementos pedagógicos nas escolas. Até 2013, os filmes tinham exibições esporádicas, complementando outras ações do PIA, mas, em razão da grande procura de profissionais da área, a ação foi transformada em projeto, em 2014. “Foi uma atividade muito despretensiosa no início, mesmo com toda a seriedade que implica, mas acabou tomando proporções significativas”, conta o coordenador do projeto e professor da UFPA, Carlos Alberto Maciel. 

Os filmes são exibidos na UFPA e em instituições parceiras, como a República de Emaús, o Colégio Lar Fabiano de Cristo, a Casa Espírita Lar de Maria, e em outras instituições escolares nos bairros Terra Firme, Guamá e na Ilha do Combu. Essas instituições solicitam que a metodologia seja trabalhada entre seus profissionais, para ser adaptada por eles em outras atividades nas salas de aula. “São instituições com as quais o PIA já tem alguma proximidade desde que ele começou como programa, há 20 anos, por meio de outros projetos”, explica Carlos Alberto. 

Exibição do filme é enriquecida por apresentação dialogada

Como etapa de preparação, a equipe do projeto assiste aos filmes previamente e um pesquisador da UFPA é convidado para orientar o diálogo sobre a película indicada. Os filmes são discutidos com base em  referências teórico-metodológicas que podem contribuir para problematizar e desvendar o fenômeno infantil abordado em seus conteúdos. São debatidos, também, aspectos sociológicos, culturais, antropológicos ou psicológicos que possam ser destacados. É organizada, ainda, uma apresentação em slides, para orientar a discussão sobre os pontos destacados na análise realizada. Após essa etapa, a dinâmica da atividade ocorre com a exibição do filme para o público-alvo e a apresentação dialogada pelo pesquisador convidado pelo PIA.

A veiculação de filmes em sala de aula é uma prática considerada comum, mas Carlos Alberto explica que a diferença do “Infância em Tela” está justamente no recorte temático que é feito. “Procuramos dar uma direção nas discussões feitas, com o objetivo de qualificar a intervenção dos profissionais que atuam com crianças e adolescentes”, afirma. 

Os filmes escolhidos retratam problemas, como violência, exploração sexual, trabalho infantil, entre outros. “Por exemplo, o filme pode expor uma cultura que trata como ‘normal’ o trabalho infantil, então nós, ao discutirmos sobre o trabalho infantil, abordamos também acerca do contexto sócio-histórico que favorece as pessoas a olharem esse fenômeno como uma coisa normal”, explica Carlos Alberto.   

Crianças e adultos – Outra discussão levantada é a relação entre crianças e adultos. “As crianças ainda são tratadas como seres coadjuvantes dentro da construção social. A criança não tem espaço de fala, quando ela se manifesta, é tratada como uma coisa de menor valor, ‘coisa de criança’, algo que não é tão importante”, diz Carlos Alberto. Ele destaca que, mesmo em filmes mais atuais, o modo como a criança é tratada pouco mudou.

Algo muito sério que também está presente na abordagem de vários filmes é a violência como forma de educação das crianças. “A violência é um elemento que, de certa forma, ‘se naturalizou’ no processo de educação. Castigar ou aplicar surras para que a criança aprenda é recorrente nos filmes e algo que nos assusta”, preocupa-se o professor.

O consumismo infantil também é tema de debate. “Estamos utilizando um documentário de 2008 que se chama “Criança, a alma do negócio”. Nele, a criança é induzida a adotar um comportamento consumista desde cedo e isso, de certa forma, é algo tão marcante e forte que as pessoas nem percebem que colaboram para as crianças adotarem esse comportamento”, alerta.

O PIA disponibiliza cópias dos filmes e dos slides para utilização dos professores nas escolas. A importância do trabalho também consiste em usar os filmes para ensinar e refletir, porque pode haver crianças passando por situações similares às dos filmes. Dessa forma, é importante a reflexão sobre as situações abordadas.

Ed.133 - Outubro e Novembro de 2016

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